27 de abril de 2015

Curso na USP sobre Diversidade de Orientações Sexuais e Identidades de Gênero

Uma super dica para quem quer se aprofundar no assunto! Edith Modesto, fundadora do GPH e do PROJETO PURPURINA estará ministrando, do dia 9 de maio ao dia 4 de julho um Curso de Extensão na USP. Veja o cartaz abaixo:

Eu participei de algumas aulas no ano passado e posso dizer que os temas, a maneira como são abordados e a troca de experiências são incríveis.  
O legal é que é um curso oficial da USP, com direito a certificado e para algumas faculdades até serve como crédito.

Para fazer sua inscrição, que começam hoje, dia 27 de abril, você precisa ir até a USP, na Administração da FFLCH (Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas) na Rua do Lago 
717, sala 126Pessoas de outras cidades podem fazer inscrição por email: reina@usp.br 


24 de abril de 2015

Saindo do "arquivo"


Esta semana duas publicações falaram sobre como as empresas estão enfrentando a questão da diversidade sexual:


No dia 19 de abril foi a Folha de São Paulo com a matéria EMPRESAS MULTINACIONAIS IMPORTAM PARA O BRASIL POLÌTICAS DE DIVERSIDADE 

Na quarta foi a vez da Revista Exame, com a capa  CHEFE EU SOU GAY  

Eu só achei estranho as matérias não citarem grandes empresas que já tem uma política aberta de diversidade há muitos anos e com um grande contingente de funcionários homossexuais. Para mim o melhor exemplo são as companhias aéreas (não só do Brasil mas do mundo todo) que tem centenas de milhares de homossexuais, grande parte abertamente assumidos, em suas folhas de pagamento. Elas já incluem os parceiros gays destes funcionários em seus benefícios há muito tempo! Imagino o diretor de RH da Gol ou da TAM lendo esta matéria... ele deve ter feito.... AHÃ... com cara de "cadê a novidade"?
Outro exemplo são as empresas de telemarketing, como a ATENTO, onde os gays formam um contingente expressivo, grandes redes de lojas também tem um contingente grande de colaboradores gays, e por ai vai. Em todas elas os gays tem reais chanches de crescimento, de emprego
Talvez estas empresas nem tenham necessidade de ter seus GRUPOS LGBTs como estão fazendo as multinacionais, talvez justamente porque - na minha percepção - os gays são tantos e tão integrados, que nem seja necessário. Achei um pouco "babação de ovo" de super valorizar as empresas gringas que fazem isto e não dar nenhuma linha ás nacionais que também fazem!

#PRONTOFALEI!

E você, acha quena sua empresa seria necessário um grupo LGBT?

As 

13 de abril de 2015

Marido? Esposo? Homem? Conjuge?


Obrigado a todos que comentaram o post anterior, sobre o casamento, no blog, pessoalmente, por email... foi legal perceber que eu não estava sozinho nas dúvidas e questionamentos... e alguns comentários foram muito, muito, divertidos! 
Mas como o casamento é uma instituição consagrada dentro da heteronormatividade, como bem lembraram alguns, talvez tenhamos que adaptar algumas coisas...

Minha primeira dúvida é? Muda o sobrenome ou não? Pelo que entendo a lei dá esta margem, mas eu não sei o que o pessoal tem usado, ou o que seria mais legal... Eu sei de alguns casais americanos em que os dois mudaram de nome, Jerry Collins e Brad Turner, por exemplo,  viraram Jerry Turner Collins e Brad Collins Turner... achei interessante, mas a ideia de ter que mudar todos os papeis me dá uma preguiça grande... Um simplesmente adotar o sobrenome do outro, como é comum em casais heteros, me parece meio estranho também... quem iria acrescentar o nome do outro?
Para falar a verdade eu acho que meu pai ia ficar bem PUTO se meu marido passasse a usar meu sobrenome... ele liga muito para estas questões "heráldicas"... mas seria muito divertido provoca-lo fazendo isto, já que o sobrenome também é meu!
Não mudar nada também... me parece um pouco desvalorizar o que esta sendo efetivado, diminuir o casamento, a união... sei lá!

A outra dúvida - questionamento - é como chamar... marido e marido, esposo e esposo, marido e homem? Antes todo mundo usava companheiro - quando não havia o casamento - mas hoje quando se muda o status deveria se mudar o nome penso eu... eu não tenho problema nenhum em chamar de namorado e assim apresentar.... e acho que prefiro marido e marido...

Será que existe regra de etiqueta ou de cerimonial para isto?

E você? O que acha que fica melhor? Com relação aos sobrenomes, com relação ao tratamento? Como os que estão casados fazem?

8 de abril de 2015

Casamento serve para que mesmo?


Para quem vive em marte e não está sabendo... uma parte da trama da novela Babilônia gira em torno de um casal de lésbicas (Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg), que vão se casar, numa grande festa, após décadas vivendo juntas. 
Isto, e também a estabilidade de meu relacionamento com Mr. Jay, tem me feito pensar muito em casamento.

Eu sou de uma geração de homens gays que conviveu por décadas com a certeza que não seria possível casar, que as leis nunca aprovariam o casamento entre dois homens. Então, de certa forma, cristalizou-se em mim a ideia de que eu "não iria me casar". Nunca fiz planos para isto, nunca tive fantasias com relação á cerimonias, á igreja... como é normal as pessoas fazerem. Do mesmo jeito que durante muitos anos eu tinha desistido da ideia de ser pai

Não que eu não fui capaz de assumir meus relacionamentos de forma absolutamente concreta e encarar muitas vezes a sociedade de frente. Eu e o F. passamos a usar alianças na mão esquerda quando fomos morar juntos, e eu sempre o apresentei ou como "namorido" ou  como "como se fosse meu marido" (falando exatamente deste jeito) para pontuar que eu o considerava marido apesar da lei não o permitir.
Na minha geração de homens gays, mesmo as pessoas estando envolvidas em longos relacionamentos, do ponto de vista legal eles eram... "solteiros". Há alguns anos houve o advento das parcerias civis, o que já mudou parcialmente o status das relações, mas foi somente com a validação do casamento igualitário (ainda que não seja lei) que as coisas efetivamente mudaram do ponto de vista legal.
É CLARO que eu sou totalmente a favor do casamento! Não só pelo simbolismo como pelos direitos que se adquire. Eu apenas não tinha parado para pensar que EU poderia me casar! E, como vocês sabem, mesmo assim eu nunca fiz o perfil de "solteirão convicto", muito pelo contrario. 
Por mais que você se sinta responsável pela pessoa, compromissada com a pessoa,  colocar isto num papel oficial deve ter um peso. Você ser chamado a, por exemplo, opinar sobre a saúde da pessoa num momento crítico, ou ser arrimo de uma família num outro caso, deve ter um peso enorme quando você documenta isto. Mas eu sempre senti que eu nunca precisaria de um papel, porque eu sempre agi assim, meu compromisso no "fio do bigode" é para valer. Não acho que eu seria menos pai, ou menos marido, com a presença ou ausência de um papel....
Será que eu me fiz entender?  Talvez seja uma coisa libertária, meio ANOS 60, ou talvez seja só medo de alguma coisa dar errado por causa do papel, não sei bem...

Mr. Jay tem vontade de se casar, já conversamos a respeito. Ele tem vontade de se casar com tudo que tem direito: festa e lua de mel inclusos no pacote. O que num primeiro momento até me surpreendeu, pelo fato dele ser jovem, pelo fato dele ser gay, pelo fato dele nem ser tão religioso... mas ele argumentou... 
"- Qualquer casal que namora fala em casamento! Porque entre gays deveria ser diferente?"
TOUCHÊ! 
E não é que ele tem razão? Imagino que com todos os direitos adquiridos atualmente os jovens e as jovens homossexuais pensam naturalmente em casamento. Não há mais um impedimento legal (embora ainda existam barreiras sociais), do mesmo jeito que eu imagino que eles pensam naturalmente em ter filhos... ou por inseminação, ou por adoção... Será que está na hora de eu "rever meus conceitos"?
Sinto que nesta altura de minha vida o casamento não teria todas as implicações que teria na vida de um jovem casal, pessoas em começo de vida, quando se está construindo as coisas, mas teria sem dúvida um grande impacto social, em especial no meu entorno mais próximo, faria com que as pessoas tivessem que se posicionar! E não vou dizer que isto não me é agradável, marcar posição e território, a meu ver, dá espaço para outras pessoas respirarem. Fortalece uma ideia, melhora a auto estima de todo um grupo.

E você o que acha? Quem não casou ainda está querendo casar? E quem casou, valeu a pena?