10 de dezembro de 2014

e o que te BROCHA?

No outro texto, quando eu falava sobre o que me dava tesão, ou melhor, sobre o fato de eu não conseguir definir direito o que me dá tesão na vida, o Paco comentou que para ele seria mais fácil definir o que tirava o tesão, em outras palavras, o que brochava...
Antigamente eu seria categórico, diria que "gente burra me brocha!". Eu falava muito isto... 
Implicava com gente que assistia novela, achava um despropósito quem gostava de lavar o carro de fim de semana, se a pessoa dissesse que assistia o Silvio Santos ou o Faustão.. vixi....caia muito no meu "conceito"...
Eu tinha até um certo preconceito com quem não tinha ensino superior, sério mesmo! Isto era um fator para eu me interessar - ou não -  por alguém.. 
Enfim, gente que eu considerava "burras"... me brochavam...Além daquelas sem papo, sem assunto, que não tinham o mínimo de cultura geral... enfim... eu era um ser pedante e pernóstico... um verdadeiro "viado"!
Por sorte, e com a ajuda dos anos, a gente vai aprendendo o que é realmente importante...hoje em dia eu vejo como eu fui bobo de ter pouca paciência e até mesmo de afastar das tais "gentes burras"...mas é aquela estória, não dá para refazer o caminho com a experiência que temos hoje...
Atualmente o que me brocha um pouco é gente que "se dá muita importância", gente que não saber rir de seus defeitos e nem estar aberto a opiniões diferentes... gente que "se acha"... Mas como nos outros casos, talvez daqui algum tempo eu descubra uma outra faceta nestas pessoas... rsrsrsrs

Ah... e na cama? Na hora do sexo,  transar de meias definitivamente me brocha! Mesmo que esteja frio... meias só para dormir...

E para você? O que te BROCHA?

ALIÁS, o certo é Brocha ou Broxa?  "As palavras brocha e broxa existem na língua portuguesa e estão corretas. Porém, seus significados são diferentes e devem ser usadas em situações diferentes. A palavra brocha se refere a um prego de cabeça chata e a cravinhos de ferro usados em sapatos, bem como a chavetas, correias ou cordas usadas em carros de boi. Pode significar também um fecho ou alguém que está desanimado ou doente. A palavra broxa se refere a um pincel grande. A palavra brocha tem sua origem na palavra em francês broche, devendo assim ser escrita com ch. É sinônima de prego, tacha, percevejo, fecho, broche, bem como de desanimado, desalentado, doente, debilitado e enfermo. A palavra broxa poderá ter sua origem na palavra em francês brosse, tendo evoluído de ss para x. É um tipo de pincel grande e grosseiro muito utilizado em caiação e em pinturas rápidas e toscas"

2 de dezembro de 2014

O QUE TE DÁ TESÃO?

repetindo a pergunta: O que te dá Tesão?

Se você pensou em bunda, pau, peito, boca e outras partes da anatomia .... além de eu achar que vc é uma pessoa superficial eu diria que vc "só pensa naquilo"! E também diria que o buraco (ui!) é mais ...profundo...
O tesão a que me refiro é o "tesão" que te move, que te entusiasma, o famoso tesão pela vida!  (como a Regina Navarro Lins fala na imagem aqui ao lado) *
 
Eu tive dois episódios esta semana que me fizeram refletir sobre o meu "tesão pela vida". 
O primeiro foi na minha terapia, pois nesta virada junguiana da vida (a fase em que eu posso ser quem eu realmente sou ao invés de ser quem eu precisava ser) estou me deparando com estas questões. Várias coisas não precisam de muita atenção da minha parte...a filha cresceu, o relacionamento vai bem e o namorado é um cara bem resolvido, as coisas no trabalho estão em ordem, a saúde boa... mas a minha ansiedade piorando dia a dia!
Esta ansiedade, já descobri, está relacionada á minha vontade de ajudar, de fazer pelos outros, que por sua vez esta relacionada á baixa auto-estima de querer que gostem de mim, num mecanismo de "se precisarem de mim vão gostar de mim"...
O segundo momento em que este meu tesão foi questionado foi quando conversava com o Mr. Jay sobre o natal, e meu aniversário que está chegando, e ele disse... "é muito dificil dar presente para vc! não tem nada pelo que você é SUPER interessado, você não é muito consumista, nem fica desejando muitas coisas".
Ou seja, estou recebendo muitos sinais e avisos que devo começar a priorizar um pouco mais as minhas coisas, ir de encontro aos meus desejos, vontades, gostos.....
A pergunta "o que te dá tesão?" está ecoando na minha cabeça... e eu como sou bem caxias, assumi esta descoberta como uma "lição de casa". Não que isto seja verdadeiramente um problema, eu estou encarando muito mais como uma QUESTÃO, algo que eu posso me esforçar mais para aprender ou melhorar.
Eu nunca fui um fã inveterado de ninguem, como já disse gosto e admiro muita gente, mas sem nenhum exagero, tenho alguns hobbies, alguma vertente de colecionismo, mas nada disso parece estar relacionada a este TESÃO PELA VIDA de que falo. O Klecius me perguntou se meu tesão não estaria nos relacionamentos, nas pessoas, nas construções de relações... eu acho que eu concordo; estar com quem eu gosto me deixa realmente "pilhado", e invisto muito tempo, cérebro e "coração" nesta questão... mas me parece uma coisa tão etérea, que não ajuda muito a "pessoa saber o que gosto para me dar um presente"...
 
Será que eu tenho que eleger um "tesão central" ou é aceitável ter "multiplos tesões", porque eu francamente acho que tenho entusiasmo por muita coisa, embora nenhuma delas exageradamente...
 
Ah lembrei de mais um episódio que aconteceu na sexta e que trouxe esta questão á baila! Eu estava conversando com a Prof.a. Márcia Berbel e disse: "o que mais me admira aqui na História da USP é o entusiasmo com que os professores dão aula" e ela me disse " isto acontece porque aqui na USP os professores estão nas cadeiras, nas disciplinas, em que são mais especializados, são assuntos que escolheram em suas vidas e que conhecem profundamente, são coisas pelas quais eles tem tesão!"
Conspiração cósmica.... todo mundo me fala do mesmo assunto!
 
E você, pelo que sente TESÃO, o que te dá tesão nesta vida?
 
 
* um blog "de família" como este... só poderia falar deste tipo de Tesão não é mesmo? #SQN

28 de novembro de 2014

Diário de Um Jovem Soropositivo


O Gabriel do DIÁRIO DO SEGUNDO ARMÁRIO está lançando domingo o Livro O SEGUNDO ARMÁRIO, e numa iniciativa para lá de legal ele disponibilizou o livro dele gratuitamente para DOWNLOAD! Legal não é? Veja o que ele fala sobre o livro:

"Pretendo, com minha história, despertar para a importância do combate constante ao estigma e à discriminação, certamente mais letal que o HIV. Assim, espero que as pessoas possam desvendar, comigo, as vivências e descobertas da vida com HIV. Abri mão dos direitos autorais e a editora não terá objetivos de lucro. Assim, conseguiremos deixar o ebook disponível gratuitamente para download na maioria dos aplicativos para essa finalidade."

Você pode achar o livro em : http://www.indexebooks.com/armario.html



24 de novembro de 2014

WAKE UP TIME!

Que horas vc gosta de levantar? 
Tem gente que gosta de levantar cedo! Tem gente que gosta de levantar tarde... normalmente nos dias de semana, nos dias de trabalho, não podemos escolher muito, a hora de levantar é determinada pelas obrigações! Então, uma das coisas mais deliciosas é poder relaxar um pouco neste quesito, deitar tarde - normalmente - porque não se tem nenhum compromisso de horário no dia seguinte e acordar a "hora que acordar"...
Eu faço muito pouco isto, levantar a hora que der "na telha". Dos 7 dias da semana normalmente em 6 deles eu tenho compromissos de horário matinais, não só compromissos de trabalho mas familiares também - na quinta por exemplo, feriado em Sampa City, tive que levantar ás 6:30 para levar a filha num simulado, no sábado levantei 7:30 para ajudar a prima na mudança.
Este domingo eu finalmente poderia acordar a hora que quisesse! Observem por favor a conjugação do verbo "poderia"... poderia mas não pude!
Mr. Jay sempre diz que eu sou ruim de cama, que durmo pouco e sempre acordo cedo mesmo quando não preciso, e ele tem razão, além da minha agitação natural eu tenho um sono relativamente leve, pego no sono fácil mas também acordo com barulhos e outros quetais...
E por falar em "quetais"... minha vizinha do andar de cima tem providenciado um quetal na figura de um cachorrinho chatinho que late muito, muito mesmo! E ele late sem horário, durante horas ás vezes... quando isto acontece durante o dia não me incomoda tanto (not!) mas de vez em quando ele começa a "lateção" á meia noite, ás tres da manhã... e a dona parece não se incomodar muito, deve achar "bonitinho" pois eu sei que ela tem mais outros 3 cachorros (num apartamento!), ou talvez ela tenha o sono pesado ... que eu não tenho.
Eu já tive cachorro, que também latia, mas era aquele latido de excitação quando chegávamos em casa, ou quando ele ficava sem comida na tigela, mas sempre procuramos fazer com que os latidos cessassem, o que não parece ser a atitude básica da tal da vizinha - que recentemente descobri ser veterinária. Nos EUA eles até tem um termo para isto, é o chamado Cão Estorvo (Nuisance Dog)
Eu juro que não quero ser chato, mas algumas das vezes tenho ligado para a portaria para reclamar - e eles ligam na vizinha pois escuto o interfone dela tocar. O problema não é reclamar, o problema para mim é perder o sono, pois ter que sair de baixo das cobertas, acender as luzes, ir até a cozinha, ligar para a portaria, falar com o porteiro... bom, meu sono já foi embora...
Esta semana isto aconteceu várias vezes e o pior é que na quinta, quando ele latiu a noite toda, o porteiro me falou que ela tinha ido viajar...(CUMA? viajou e deixou o cachorro latedor de presente para os vizinhos?).
Confesso que decidi não ser mais tão paciente e "compreensivo", sei até que a lei no silêncio se aplica se o latido for das 22 ás 6... mas na realidade o que me frustra é que a pessoa que queira ter cãezinhos não se preocupe que eles podem estar incomodando os outros... mais uma vez estamos falando de educação... um assunto mais do que recorrente na minha vida!
Mas é um fastídio ter que reclamar  e exigir o BÁSICO! Dammi una stanchezza!

E você? Você é bom de cama? O que te tira o sono? 

21 de novembro de 2014

Pobreza Pega!



"- Maria de Fátima, quando você trouxer um copo de água para seu convidado não traga na bandeja, você é a dona da casa, quem usa bandeja é garçon"
A frase, dita por Odete Roitman (personagem antológica da atriz Beatriz Segall) para a social climber Maria de Fátima, ilustra bem um dos exemplos de etiqueta, de comportamentos, que não "pega bem" para os ricos.
Eu assisti esta cena ontem... o Mr. Jay é fã confesso de clássicos pop, e dentre as coisas que ele curte estão as novelas antigas, recentemente ele comprou o DVD da Novela VALE TUDO onde o grande mistério "quem matou Odete Roitman" ocupou o imaginário popular por meses!
Mas o mais engraçado foi ele me dizer para prestar atenção na Odete, para deixar de fazer "coisa de pobre"! O que me fez rir muito... pois ele tem razão, eu realmente faço um monte de  "coisas de pobre"...
     
  • Colocar água no frasco de shampoo para diluir o resto e "aproveitar" até o fim...
  • Trazer para casa os saches e guardanapos que sobram quando almoça no fast food...
  • Guardar alguns potes de embalagens (de coalhada seca por exemplo), ou sorvete, para reaproveitar para congelar coisas na geladeira...
  • Usar o verso de folhas de papel, inclusive de malas diretas que chegam em casa...
  • Gostar de canetas de brinde - a gente sempre pode precisar não é?
  • e algumas outras que não me lembro agora...
 
Bem...bem.... posso até admitir que algumas destas práticas podem não ser requintadas... mas acho que meu grande gancho para estas atitudes é o desperdício e o "valor do dinheiro"... Apesar de meus avós terem sido lavradores com muito pouca instrução formal, vindos da Italia e da Espanha na primeira década do Séc. XX, eu tive uma infância confortável, pude brincar, estudar, ver televisão á vontade... meu avô ralou bastante e meu pai também, para que isso acontecesse... Mas sempre fui treinado para dar valor ao que tinha, a saborear as conquistas, a poupar para momentos dificieis e a não desperdiçar.
Na mente dos avós os sacrificios das duas guerras mundiais, das revoluções internas, sempre estiveram presentes, o meu avô sempre manteve na casa dele uma despensa de "Gúééérra" - ele nunca entendeu que em português não se encompridava a pronuncia da vogal antes da doppia. A despensa era um armário na casa - ou até mesmo um pequeno quarto nas casas maiores que teve - onde ele sempre tinha um estoque de "coisas que podiam faltar numa guerra", tais como dezenas de latas de massa de tomate, garrafões de água, fardos de papel higiênico, e outros enlatados e conservas... apesar de só morarem ele e minha avó ele fazia compras no Makro para sua despensa de "guéééérra".
Detalhe, no sítio e na casa de praia estes quartos e armários eram "secretos", escondidos atrás de portas falsas de lambris e até mesmo chaveados - para ver como ele levava a sério este assunto!
Mesmo minha mãe tinha sua "despensa de guerra" quando eramos crianças, a qual ela sempre recorria quando faltava algo na hora que estava cozinhando...
Eu não tenho memória de guerra, nem de revoluções onde o abastecimento foi seriamente prejudicado, mas tenho memória da inflação onde as coisa perdiam valor muito rápido... tenho memória da reserva de mercado, onde os produtos de qualidade e importados eram quase inacessíveis... talvez este conjunto de fatores, e minha consciência ecológica, em especial no que se refere a desperdício de papel por exemplo, é que me fazem ter algumas "atitudes de pobre"... mesmo me divertindo com as brincadeiras do Mr. Jay eu pensei, pensei e não vi nada demais em continuar a fazer alfumas destas coisas, que podem não ser "de gente rica", mas que estão bem de acordo com o que acredito e fui treinado!
Aliás, eu mesmo já "acusei" minha mãe de ter estas atitudes "de pobre", quando por exemplo vai fazer compras num supermercado muito mais longe da casa dela só porque é "mais barato que o Pão de Açucar" e depois, com mais de 70 anos, tem que se matar para descarregar as compras do carro, ao invés de mandar entregar como eu faço...
 
E você? Tem "atitudes de pobre"? O que pensa disto?
  
 
 E para ilustrar, algumas frases da "Odete Roitman" que achei na net...
 
- “Eu gosto do Brasil. Acho lindo, uma beleza. Mas de longe, no cartão postal. Essa terra aqui não tem jeito. Esse povo daqui não vai pra frente, é preguiçoso. Só se fala em crise e ninguém trabalha?”
 
- “Você acha que eu vou pegá-los no aeroporto? Eu acho a coisa mais jeca dar plantão em aeroporto. Eles até colocaram vidro para as pessoas não verem quem está chegando, mas mesmo assim as pessoas colocam o nariz no vidro, penduram criancinha pra dar 'tchau'. Eu vou mandar o chofer.”
 
- “Chinelo, chinelo... Que palavra horrível! Português é uma língua tão chinfrim.”
 
- “E eu que pensei que alguma coisa tinha mudado nesse país. Foi só botar o pé aqui que você começa a sentir esse calor horroroso, uma gente horrível no caminho, gente feia esperando ônibus caquéticos no ponto.”
 
- “O Brasil é um país de jecas. Ninguém aqui sabe usar talher de peixe.”
  
- “Você pode imaginar uma menina inteligente e sensível como a Maria de Fátima [Glória Pires] morando em uma cidadezinha de interior ao lado da mãe? No dia do aniversário ganhando bolinho com velhinhas, olhinho de sogra, cocadinha, docinho de leite, salgadinho enfeitado com florzinha de tomate?”


 

12 de novembro de 2014

Eu jamais iria no Museu Pelé!

Eu sempre digo que criar filhos é uma aventura muito divertida e estimulante não digo? Acompanharmos as fases e os desenvolvimentos dos filhos é que nos faz sempre pensar em toda nossa trajetória...
Ontem li a notícia sobre a inauguração, em Santos,  do Museu Pelé. Eu nem gosto de futebol, mas comentei com minha filha que deveria ser um lugar legal pois foi construido num prédio histórico no centro de Santos que estava em ruinas e que foi reformado.
- Quer ir lá conhecer?
- Eu jamais iria no Museu Pelé!
- Cuma? Porque?
- O Pelé foi omisso durante a ditadura e nunca ajudou o movimento negro, eu acho que ele prestou um des-serviço á população!
- Mas o Pelé é reconhecido mundialmente, vai ter gente que vai vir de todos os lugares do país , e até do mundo, para conhecer o Museu e a cidade de Santos onde ele viveu e começou a carreira, aliás, Santos já é conhecida mundialmente por conta do Pelé!
- Eu preferia muito mais ir a um Museu dedicado ao Socrates, que lutou contra a ditadura e criou a Democracia Corintiana.
- Mas o Pelé também tem seu valor, o Sócrates, por conta de seus excessos com bebida, não é exatamente um exemplo para os jovens.
- O Sócrates tinha uma doença, ele tinha um problema genético chamado alcoolismo, e independente disto ele fez muito mais que o Pelé.
- Mas posso te garantir que se construissem, lado a lado, o Museu Pelé e o Museu Sócrates, ia ter muito mais fila de gente querendo entrar no Museu Pelé!
- Mas eu ia no Museu Socrates!
 
Resolvi dar por encerrada a conversa, não só por que o objetivo de uma conversa não é ter um vencedor (o que ás vezes ela não entende ainda) mas principalmente por ver que ela tinha uns argumentos interessantes... alguns típicos de uma jovem eleitora da Luciana Genro como ela....o que não os invalida...
 
E você? Em qual Museu quer ir?

10 de novembro de 2014

se eu soubesse o que sei agora...

Acho que todo mundo já fez esta reflexão não é? Se eu soubesse o que sei agora...faria tudo diferente...
 
Para os que escrevem sobre História este é um grande perigo, é o chamado "anacronismo" -  tentar avaliar ou entender a história do ponto de vista dos hábitos e conhecimentos atuais. Por exemplo, com o que sabemos e acreditamos na atualidade sobre direitos humanos, fica difícil entender a escravidão ou a inquisição. Para entender e estudar isto você tem que procurar pensar com a cabeça da sociedade da época que estas coisas foram formatadas.
Os Flintstones terem automóveis e máquinas de lavar-louça também seria um exemplo de "anti-cronismo", o outro nome do anacronismo. Coisas fora de época, mesmo que sejam movidas á dinoussauros ou mamutes...
Aliás, outro anacronismo! Quando os seres humanos surigram os dinossauros já estavam extintos há muito tempo! Nunca convivemos com os "dinos"
 
Eu penso que para nós, que estamos escrevendo - e vivendo -  nossa própria História, o anacronismo pode ser um perigo. Se eu achar que devia ter feito tudo diferente, baseado no que sei agora, posso não querer seguir adiante, por achar que estou no melhor ponto da minha trajetória ou por querer voltar para algum momento que já passou.  
Tem aqueles que vivem no passado de certa forma, que ainda pensam naquela oportunidade de emprego que não aproveitaram, naquela pessoa que deviam ter conhecido e não se arriscaram, aquele NÃO que deveriam ter dito - ou aquele SIM que disseram. Gente que está no presente buscando um passado baseado nos seus novos conceitos, nas suas novas experiências...como se pudesse voltar no tempo...
Voltar no tempo mas sabendo o que sei agora... ai sim eu poderia aproveitar melhor o passado nós pensamos! É isto que todo mundo pensa vez por outra!
 
Quer ver uma coisa do dia a dia que me parece ser um bom exemplo disto?
Já aconteceu de você reler um livro que tinha simplesmente a-d-o-r-a-d-o e você não vivencia a mesma emoção, fica até decepcionado? Você estava buscando aquele sentimento que tinha vivido, mas ele só era possível para aquela pessoa que você era no passado - isto não quer dizer que esta releitura não te traga novos sentimentos, mas eles serão isto mesmo, NOVOS!
Eu, por garantia, evito reler meus livros...rsrsrsrs
 
Ficar preso na expiral do "que deveria ter sido" é perigoso, mas passar por ela, de vez em quando, me parece servir para confirmar (ou validar como está na moda) o nosso presente e nossas escolhas... Fico satisfeito em perceber que "se eu soubesse o que sei agora faria tudo diferente". É uma sensação boa! Me mostra que hoje faço escolhas melhores... e que aquelas escolhas não estavam erradas, como eu poderia pensar do ponto "histórico" da minha vida, elas eram as escolhas "possíveis" naqueles momentos!
 
Esta reflexão está na minha cabeça faz tempo... desde que tive uma papo com o Rê e o Zé António...e o Zé me pareceu apreensivo por eu argumentar isto em algum momento de nosso papo, que se eu soubesse o que sei agora teria feito tudo diferente e algumas coisa teriam durado menos, acabado antes...e ele tinha razão, como amigo e também como psicólogo, de pedir relfexão sobre isto!
É o famoso E SE! Que pode ser ruim.... mas que eu vez por outra me permito utilizar!
 
E você, conjuga muito o E SE? Passa pela tua cabeça voltar atrás e refazer algo?
 
 
 

7 de novembro de 2014

Palestra sobre Racismo

Para todos que se interessam sobre a questão racial no Brasil
A ONG PROJETO ACOLHER promove neste sábado uma palestra com o tema
RACISMO E ADOÇÃO, que terá a presença da Prof.a. Dr.a. Maria Inês da Silva Barbosa - que defendeu tese sobre a questão do Racismo na Saúde - a Prof.a. virá especialmente de Salvador para o evento, portanto é uma oportunidade única!
O Evento se realizará no auditório da OAB de Santo Amaro, para inscrever-se ligue (11) 2577.0238

5 de novembro de 2014

Eu quero ser Odete Roitman!

No sábado, numa roda de conversa numa festa, uma garota (tenho 50, posso chamar um monte de gente de garota!), que trabalha diretamente com o público, pois é comissária de bordo, comentou:
- É impressionante como as pessoas estão mal educadas hoje em dia. As pessoas melhoraram de vida, passaram a poder andar de avião, mas pioraram de educação. Ninguém fala por favor, ninguém fala obrigado, te puxam pelo braço...Eu não entendo!
Mas ai uma outra explicou:
- Isto é fácil de entender, as pessoas sempre veem nas novelas que os ricos - os que se dão bem e tem grana - são sempre grossos, preconceituosos, desonestos,  tratam mal os empregados e desprezam seu passado humilde, então quando conseguem ter dinheiro eles acham que ser rico é se comportar como os ricos da novela. ele não querem ser mais os educados e humildes, os pobres explorados e trouxas... para ser rico tem que tratar os subalternos mal!
Uau! Eu não sou um grande mestre em sociologia, aliás, nem grande nem pequeno, mas o que esta mulher disse me pareceu uma análise bastante correta.... de certa forma nos faltam bons exemplos.. de tudo! Quando se educa um filho, muito mais importante do que se fala é o que se mostra!
Penso que muita gente "de bem" gostaria de se envolver com a política, mas como só vem maus exemplos, más práticas, ele não quer se meter com aquilo, se sente enojado.
A Edith Modesto sempre em convidava para conhecer pais de jovens gays - em especial daqueles que tinham acabado de se revelar - para que estes pais conhecessem outro tipo de gay, aquele que tem família, que é casado, pai, trabalhador, ela chamava isto de modelo POSITIVO, pois os pais sempre tinham o exemplo do "gay bicha louca", o travesti da esquina, dos caras pelados na parada gay(1)
 
Eu sou uma pessoa que foi construida na base dos exemplos, de professores, de amigos, de pessoas famosas pelo que escreveram ou fizeram, mas eu tive que aprender quais eram os exemplos "bons" e o exemplos "ruins", em algum momento de minha vida eu fiz a escolha pelo que hoje considero o "certo".
Mas estou ciente de que esta não é a única realidade, que os meus conceitos do que é "bom" não estão necessariamente certos. Um exemplo? Minha filha tem uma amiga que, apesar de cursar engenharia, já verbalizou que se tiver escolha prefere casar com um cara que tenha condições para que ela não trabalhe, a.k.a. "cara rico". Absurdo? Este é o exemplo que ela tem em casa, a mãe, de família bastante simples, tem estes valores, casou com um cara rico, nunca pensou em estudar e em trabalhar, passa os dias fazendo compras em shopings na internet e em sites de moda e decoração... Isto pode estar "errado" para mim, mas para ela não!
 
Mas EDUCAÇÃO já é um pouco diferente... Não é? Aprender a lidar com as pessoas quando se vive em sociedade é um pouco fundamental demais para ser apenas uma escolha! Temos que ser educados e exigir que sejam educados conosco, temos que falar sobre isto, mostrar mais, dar mais exemplos bons...
 
Tem muita gente que argumenta que alguns governos só mantem o poder através do assistêncialismo, que gostam de fazer como os antigos coronéis, mantendo os pobres no cabresto. Eu até concordo, mas não tem como deixar de reconhecer o quanto os ultimos governos fizeram para garantir o acesso ao ensino superior, o que poderia ser, em ultima instância, um tiro no pé, pois estaria formando pessoas mais críticas e pensantes (mesmo que não seja um ensino de qualidade, mesmo que seja um "puta" negócio para as faculdades fastfood, mesmo que eu ache que deviam usar este dinheiro e criar boas universidades publicas).
Mas Educação é diferente de Educação Formal, não são excludentes mas são complementares!
 
E você, também acha que as pessoas estão menos educadas? E você? È educado?
 
 
(1) mesmo que a gente não goste disto, deste preconceito, é assim que as coisas são e a Edith trabalha com pessoas reais e não ideais!

3 de novembro de 2014

A Época da Intolerância...ou "a democracia é coisa de infiéis"

Eu acho muito importante podermos rir de nós mesmos. Acho isto extermamente saudável e nos faz desenvolver um certo pensamento crítico sobre nós mesmos, mas muita gente não pensa assim. O Mr. Jay mesmo fica um tanto irritadinho se faço piada com coisas erradas que acontecem na vida dele...mas está se acostumando com esta minha "faceta".
Em função disto eu estava me divertindo muito com as charges do período eleitoral, que caçoavam da Dilma e do Aécio, que zoavam com PeTralhas e Coxinhas. Uma das ultimas que ri foi a que propunha, em função dos resultados das eleições, que se transformasse Minas num lago!
Mas esta semana eu fiquei bastante desconcertado com alguns fatos:
Primeiro com o deputado - segundo ele com anuência do Aécio - que propôs uma espécie de auditoria nas eleições, pois "circulavam nas redes socias boatos de fraude"...uma bobagem e uma estratégia de marketing para ele aparecer na tv que foi prontamente ignorada pelo STF. A outra foi a "passeata" de umas três mil pessoas pedindo o "impeachment" da Dilma, com comando do, digamos de forma delicada, patético dinossauro Lobão.
Mas a isto se somou ver declarações, de pessoas que considero amigas, que ficaram no que se denominou LADOS DIFERENTES da disputa, umas  dizendo que "eleitores do Aécio não se preocupam com os pobres" e outras que "é por isto que não viajo para o Nordeste, com o meu dinheiro eles não ficam". Hoje mesmo eu li um texto do Toni Goes falando a mesma coisa.
 Eu não vou dizer que se o PT tivesse perdido não teria sido muito diferente, eu tinha lido declarações de líderes sindicais que se a Dilma perdesse eles iriam "parar o país" e dos lideres dos movimentos que lutam por terra e moradia que iam "invadir geral".

Perplexidade.
 
Mas me parece que este é um sinal dos tempos de CERTEZAS ABSOLUTAS  que vivemos!  Neste domingo eu li uma entrevista de um dos porta-voz do Estado Islâmico no Estadão dizendo que "democracia é uma coisa para os infiéis e por isto eles devem morrer". O que, guardado o exagero do paralelo, se parece muito com o que tenho ouvido no Brasil...
 
Antes para a pessoa expressar este tipo de opinião tão radical, e ser ouvida, tinha que fazer parte do governo (e sempre tomar cuidado com o que dizia e com as consequencias disto) ou fazer parte de algum veículo de imprensa (e também tomar cuidado com o que dizia, passar por crivos, arcar com as consequencias). Agora com a Internet tudo mudou, uma opinião crítica e preconceituosa expressa num perfil de rede social, ou blog, se espalha como um rastilho de polvora! E muitas pessoas não medem a consequência disto. Não acho isto ruim não! É apenas um CHOQUE de realidade a meu ver... 
Eu estou vendo pessoas que estão sempre criticando as bobagens que os homofóbicos que "só tem orificios de saida" sendo mais preconceituosos que eles!
 
Perplexidade é o sentimento!
Intolerância é o nome do jogo!
 
E você que está achando do jogo?