23 de abril de 2017

aqui não tem homossexuais

Resultado de imagem para homossexuais nao existem
As noticias da Chechenia de perseguição aos homossexuais estão assustando a todos... é a primeira vez desde a Alemanha nazista que esse tipo de perseguição acontece de maneira institucional. É claro que vários religiosos e sus denominações nunca deixaram de perseguir.. sempre com o mesmo argumento,,, que não existimos, que somos aberrações... parece tão ilógico pensar assim, tão irracional , mas eu passei por uma experiência há algumas semanas que serve para ilustrar um pouco como mesmo pessoas bem intencionadas podem ter sua mente lavada por questões religiosas:

  Lá na USP, na porta da FFCLCH, tem um rastafári que tem uma barraquinha de sandubas veganos, e como ele faz o sanduba na hora eu acabo conversando com ele, pois tenho bastante curiosidade sobre outras culturas, outros pensamentos... e como nunca fui para a Jamaica, achei que era uma boa oportunidade de aprender sobre o rastafaranismo. Ele me contou que vive numa comunidade rasta lá pelos lados de cotia (eu nem sabia que existia isso em sp) e que vivem segundo as normas da lei de Jah. Me contou que os homens (do genero masculino) não cortam o cabelo porque ele tem uma conotação no sagrado, pois ele como homem é automaticamente um estudioso e um "homem santo" de alguma forma... engraçado como várias religiões tem esta conexão com cabelo sagrado.
Resultado de imagem para rastafariPara não ficar muito por fora dos papos eu fui ler um pouco mais sobre a cultura rastafari, e no que fui lendo fui vendo que a mulher tem um papel bem secundário... não podem assumir cargos religiosos nem políticos... pelo cultura rasta elas só podem ser "do lar" basicamente. 
Ai fui conversar com meu amigo sanduicheiro rasta... e questionei como uma cultura que surgiu na década de 20, do século XX, tinha uma visão tão restrita sobre a mulher... e a resposta foi - esta escrito assim. 
E foi então que perguntei como eram vistos os homossexuais na religião e a resposta dele foi - não existem rastafáris homossexuais (!!!) . Eu tentei argumentar, falei para ele que estatisticamente de 10 a 20 % da população é homossexual e que com certeza havia rastas gays. Ele disse que não conhecia nenhum e nunca tinha ouvido falar de nenhum rasta gay. Eu ainda brinquei.. me leva um dia num culto seu que eu ligo o meu radar e te mostro os que são...
Ai eu perguntei sobre o que a religião falava dos homossexuais em geral - pois ele convive com o pessoal da FFLCH e tem muito gay, lésbicas, trans,  de pessoas de gênero fluido circulando por ali - a resposta foi, eles não são rasta e não tem nenhuma explicação para eles.
Ou seja, somos inexistentes para eles, ou somos aberrações, pouco dignos por estarmos fora dos modelos do "masculino" que eles aceitam...

De certa forma este pequeno episódio ilustra bem o que acontece nas doutrinações, a negação da realidade de forma a adequá-la á necessidade de dominação, o papel secundário da mulher, a inexistência de sexualidades diferentes, não me parece uma simples coincidência que todas as religiões monoteístas sigam o mesmo roteiro... 
Os rastafaris são estimados em pouco mais de 20 milhoes de seguidores, e talvez por serem poucos esse pensamento deles não faça muito "estrago", mas os 2,5 bilhões de cristãos e  os 1,8 bilhões de islâmicos , que não pensam tão diferente assim com relação ás mulheres e aos homossexuais, tem feito muitos estragos...

Dá para ter esperança com isso? Eu acho que sim, acho que como outras coisas - como o fim da escravidão, imigrantes, casamentos inter-raciais - com o convívio as pessoas vão se acostumando, vão aceitando, ou vão se resignando, seja qual for o modelo de mudança as coisas mudam, o problema é que demoram muito a mudar.

E você, conhece gente que nega a existência de homossexuais? Qual seria o caminho para mudarmos um pouco a cabeça dessas pessoas? Ou será realmente que não existimos?


9 de abril de 2017

machismo, homossexualidade e fidelidade

Nenhum texto alternativo automático disponível.Esta semana eu participei de uma reunião do Grupo HOMOPATER que discutia principalmente a questão da Fidelidade, e de como isso se relaciona com a questão da masculinidade e dos relacionamentos homoafetivos.
Foi uma conversa muito interessante, e a conclusão final (segundo eu entendi) foi de que a fidelidade é muito mais relacionada a um "combinado" que se faz com a pessoa, pois podem existir tipos e conceitos diferentes de fidelidade (e infidelidade). Falou-se também que a fidelidade pode ter um forte componente nas tradições, em especial religiosas e que de certa forma a fidelidade não seria "natural".
Aqueles papos de que o amor romantico foi inventado no século XIX, que o casamento é uma instituição religiosa cristã e que os gays não precisam seguir isso, que numa relação entre dois homens é muito diferente que duas mulheres... tantos argumentos!

Todos tinham histórias para contar sobre o fato das pessoas serem naturalmente infiéis: "acho impossível passar a vida toda sem querer transar com ninguém mais", " as minhas amigas todas traem seus maridos", "não tem como ser fiel",  "meu amigo só descobriu que o marido o traia quando ele morreu de HIV". Ai se falou muito mais em Traição, do que de infidelidade.
Em função disso a fala de alguns presentes que vivenciam, ou vivenciaram, relacionamentos abertos, em que de uma forma ou de outra - dentro de alguns "combinados" - se podia transar ( mas não se relacionar) com outras pessoas, também teve seu peso durante a reunião mas o que eu pude perceber é que não havia fidelidade sexual, mas havia fidelidade emocional.

Sempre que surgem essas conversas sobre relacionamentos abertos - que todos afirmam serem super fáceis de administrar e muito mais naturais devido ao grande apego que os homens gays tem ao sexo - parece que quem acha que tem um bom relacionamento monogâmico está "mentindo" ou "aprisionado nas convenções pequeno burguesas", e normalmente recebe-se um certo olhar do tipo "você deve estar mentindo, com certeza vc pula a cerca".
Num determinado momento da reunião eu pedi a palavra para questionar um dos homens que vive um relacionamento aberto com seu companheiro há mais de 15 anos: " Quer dizer que se eu falar para o meu companheiro - vou fazer café para assistirmos o Masterchef juntos - e ele me responder que vai sair para transar - só transar como foi combinado - com alguém, porque acha Masterchef chato, eu tenho que achar normal e bom para o relacionamento aberto que combinei com ele?"
Sério? Sério que nem posso ficar chateado? Desculpe.

E ainda completei - "Onde vcs acham caras para transar sem compromisso? Vcs mantem o GRINDER nos seus telefones? ou vocês ficam caçando o tempo todo? Vão a saunas e boataes com essa intenção?" - o que deixou o cara meio chocado com minha caretice...
Ele me disse que encontra gente em qualquer lugar... que não é difícil ... o que me fez sentir que eu sou muito ruim de cantada porque quando eu estava solteiro eu não achava gente para sair sem procurar, ás vezes procurar bastante. Acho então que gente ruim de cantada não pode ter relacionamento aberto! kkkk
Para mim, para você encontrar alguém, nem que seja só para transar, denota um certo esforço, ficar ligado, estar disponível para isso... caçar mesmo... mas se vc se esforça para procurar outros caras, porque não se esforçar para ficar com o seu? Especialmente porque há o tal combinado de "fidelidade emocional"?  E é um esquema todo cheio de regras, o cara pode vir transar na sua casa, mas não pode ficar para jantar, nem dormir... é só sexo e tal ( se tem tanta regrinha, para que não atrapalhe o relacionamento, porque não seguir as regrinhas da monogamia?)... tudo para não se envolver emocionalmente
Até em deles, que vive uma relação aberta, relatou que num determinado momento, acabou se envolvendo com uma pessoa emocionalmente, e que isso quase acabou com seu casamento - ou outra trabalheira emocional...

Resultado de imagem para cadeadoMas não era só eu que tinha feito a opção por um relacionamento monogâmico, outros disseram que não tem intenção de abrir seus relacionamentos e que preferem ter uma pessoa só. O que me deixou me sentindo bem "normal". Acho que a conclusão final é que cada um tem que escolher o modelo de relacionamento que lhe cabe melhor, o que lhe deixa feliz, e o que faz o relacionamento fluir, crescer, desenvolver.

Pessoalmente eu não tenho nada contra as pessoas que escolhem que no seu relacionamento se pode transar com outras pessoas, ou a três, também acho aceitável relacionamentos poligâmicos (3 ou mais pessoas numa relação amorosa) , porque, da mesma forma que as piadas sobre casamento gay, os relacionamentos poligâmicos não são obrigatórios, vc não é obrigado a viver um! Então deixe quem quer viver em paz!
Eu não acho a monogamia um sacrifício, nem uma convenção obrigatória pela sociedade, nem uma prisão. Não acho que sou menos homem ( como parece para alguns ) porque eu transo sempre com a mesma pessoa, porque eu não fico espalhando minha "semente viril" em outras paragens. Eu gosto de transar com quem estou me relacionando, e acho super normal administrar as diferenças de tesão, o que pode ser bem resolvido com um filminho, ou com o clássico 5x1... fidelidade não é um sacrifício.

Eu ate conseguiria administrar se o Mr. Jay, num momento qualquer, pulasse a cerca, se bem que eu prefiro nem ficar sabendo se não for nada sério, lavou está limpo! Na realidade eu até consigo me imaginar transando com uma outra pessoa num momento de fraqueza, sei lá - do mesmo jeito que meu ex fazia - sem me envolver emocionalmente... mas eu não tenho vontade disso! Acho que ambas as situações nos levariam a conversar sobre o relacionamento, ver porque estamos juntos e se ainda queremos ficar juntos - como outras situações do dia a dia podem ser motivos para pensar o relacionamento.
O relacionamento não pode ser uma coisa morta, paralisada, ele é dinâmico, em construção permanente, vamos mudando e temos que ir mudando o relacionamento. O tempo passa e as coisas não precisam ser piores por serem antigas, eles podem ser melhoradas, recicladas, se existe o amor, o compromisso o companheirismo, o carinho e planos em comum.

E para você? O que é fidelidade num relacionamento entre dois homens? Como você lida com a traição?





3 de abril de 2017

1, 2, 3... precisamos contar?

Esta semana correu a notícia que o Pato Donald vai proibir as perguntas sobre os LGBTs no próximo censo americano, a se realizar em 2020 (clique aqui para ler Washington Post) . É claro que como outras muitas coisas que ele tentou fazer e teve que voltar atrás, pode ser que isso também não se concretize, mas a notícia por si só já é motivo para refletirmos! E nos preocuparmos se algo parecido ocorrer no Brasil.

No Brasil, como nos EUA, os LGBTs só começaram a ser "contados" no censo de 2010(1), antes disso as pessoas, as famílias e os domicílios LGBT não eram contados simplesmente porque não eram feitas as perguntas certas. Em 2010 o entrevistador passou a perguntar se a pessoa vivia com alguém, se a resposta fosse afirmativa ela questionava se era uma pessoa do mesmo sexo e depois o grau de escolaridade e renda dessa pessoa.
No censo então identificou-se 60.000 domicílios LGBT no Brasil em 2010 (um deles o meu pois declarei isso ao recenseador). Nos EUA foram identificados 400 mil domicílios LGBT, de um total de 54 milhões de domicílios heterossexuais, mas eles consideraram que havia uma curva de "não identificação" dos domicílios heterossexuais, (2) e que esse número poderia chegar a 650 mil lares LGBT. Com certeza o mesmo critério poderia ser aplicado ao Brasil, posto que em 2010 o casamento de pessoas do mesmo sexo tb não estava oficializado aqui.

Mas para que contar? Não queremos nos integrar? 

Eu entendo que é importante discriminar(3) para que se possa reivindicar diretos, leis e políticas públicas em função das perdulariedades de cada grupo. É importante contar os Indígenas para poder saber sua importância na sociedade e proteger sua cultura, é importante contar os negros, as mulheres, os trabalhadores das empresa terceirizadas e outras coisas, para poder proteger as pessoas, especialmente as que não são maiorias. 
Nunca deixaremos de ser minoria, mas não podemos deixar parecer que não existimos! É com esses argumentos - ou essa visão distorcida propositalmente - que volta de meia aparece gente querendo legislar "o cú alheio"  como recentemente quando o MP do Paraná queria impedir gays de adotarem crianças pequenas, sugerindo que só poderiam adotar crianças acima de 12 anos (lei AQUI no Blog do Projeto ACOLHER)
Foi  por isso que, em 2010, tanto no Brasil como nos EUA, as entidades LGBT fizeram campanha para mostrar para as pessoas sobre a importância de nos declararmos LGBT ao censo. 

Tenho certeza que os números dos casamentos LGBT vão dar um salto no censo de 2020, mesmo porque eles vão partir de ZERO, já que o casamento oficializado só pode existir a partir de 2013. O que deu muito mais força e direitos ás pessoas, e tornou muito mais visíveis essas famílias.
Eu tenho feito a minha parte, tenho dado cada vez mais visibilidade a minha família, em vários momentos de minha vida, no meu dia a dia, não só por orgulho dela, mas também como atitude social e política, como eu sei que muitos amigos fazem... mesmo sem terem que usar e  "roupa camuflada" né não Zé Soares?

E você, como se declarou no último censo? Como vai se declarar no próximo? Acha importante contar?



(1) Na realidade o PNAD (pesquisa nacional por amostragem de domicílios) já contava os domicílios LGBT antes de 2010
(2 ) Pelo preconceito, por medo de discriminação,  porque o casamento não estava oficializado por lá e outros motivos, incluindo ai o preconceito do entrevistador. 
(3) No sentido de distinguir, perceber diferenças, discernir, e também de listar e classificar 

7 de março de 2017

fiquei com 147!*

Com quantos caras você já ficou? Você já contabilizou isso?

* E.T. eu não fiquei com 147... esta frase é do meu afilhado, que quando viajou com a turma do colégio na formatura para Porto Seguro, conta que ficou com 147 meninas ( e algumas não meninas) durante a semana!





24 de fevereiro de 2017

Ser quem você precisa ser...

Minha pergunta:

Você é, para seus amigos, o amigo que eles precisam?
Você é, para seu namorado, seu marido, o cara que ele precisa que você seja?
Você é, para seu filho, sua filha, o pai que ele precisa?
Você é o pai, o irmão, o sobrinho que as pessoas precisam?

Eu sei que quando pergunto isso sua reação pode ser: "Que absurdo eu sou sempre a mesma pessoa, eu sou como eu sou, eu não tenho que ser como as pessoas querem!".
Tá, em princípio eu concordo com isso. Eu não vou ficar me modificando, fingindo ser outra pessoa, só para estar com alguém, mas eu não estou falando disso, eu estou falando de pessoas que você gosta, que você ama, que você quer, de algum forma, ajudar ou ver bem.

Você não tem aquele amigo que você precisa ligar de vez em quando, ou mandar uma mensagem, um oi, para ele não ficar triste, achando que você não lembra dele, que não gosta dele?  Mas também tem aquele dia que você tem que ligar para dar "um puxão de orelhas nele", trazer ele de volta para o planeta Terra não tem?
E para quem você se relaciona, quem você namora, está casado, não tem vezes que você tem que mostrar entusiasmo por uma coisa dele, que ele gosta muito, para deixar ele feliz? E não tem outras vezes que você tem brigar com ele, impor uns limites?
E para os filhos? Tem o dia que você tem que ser super compreensivo e acolhedor, para amortecer as dores do crescimento, mas também tem o dia de dar uma segurada, ser mais rigido e exigente para poder lhes dar o chão que ás vezes perdem não é?
E o mesmo vale para seus pais, seus irmãos, e tantos outros que gostam de você, de quem você gosta, cuja presença "acrescenta valor" uns ás vidas dos outros! Você, além de ser você mesmo, precisa ser um pouco do que as pessoas precisam que você seja não é mesmo?

É claro que algumas vezes "ser o que o outro precisa" não vai deixar o outro feliz, porque ás vezes você precisa fazer uma critica, reclamar da atitude, impor limites, e o outro não vai gostar disso, mas "ser o que o outro precisa" não é um concurso de popularidade. Se o outro percebe que estes momentos de critica também são de apoio, são criticas porque você gosta dele, ai sim está tudo certo, você está realmente sendo quem o outro precisa, no momento certo, do jeito certo.

Acho que isso faz parte do processo de aprender a amar as pessoas, conseguir sair de "você" e ser um pouco "do outro", da maneira que o outro queira te "usar", no  bom sentido, porque você está "se deixando usar". 
Penso que a gente não consegue ser o que outro precisa se um dos dois é muito egoísta, porque não será uma relação de troca, pois o egoísta vai pensar, de alguma forma, que você tem "obrigação" de fazer aquilo e que ele não tem que lhe dar nenhuma retribuição. Veja, eu não estou dizendo que a gente faz porque espera retribuição, mas a gente sabe que em algum momento aquela pessoa vai ter poder nos ajudar... será quem nós precisaremos que ela seja.

"Ser o que o outro precisa" é uma das bases de um bom relacionamento, de qualquer tipo. Mas eu diria que você só consegue ser do jeito que o outro precisa se você estiver bem com você mesmo, com quem você é. Se você não se sente bem sendo "o que o outro precisa", se isso te agride, se você não sente que isso melhora a relação de vocês, ou , pior ainda, se você faz pelo outro apenas para manter o outro preso - ou dependente - de você, então, "ser como o outro precisa" não está adiantando nada, não é bom para nenhum dos dois.

Você concorda? Você sabe ser quem o outro precisa? Ou acha que isso não é importante?






13 de fevereiro de 2017

Muitos! E em todos os lugares! (é textão mas até é divertido)

Semana passada eu vivi um momento que considero sintomático... um sintoma ruim aliás,  em relação aos tempos que estamos vivendo...

Este mês completo 30 anos que me formei como arquiteto e, graças á tecnologia, algumas pessoas nunca perderam contato durante todo esse tempo (eu tenho umas 4 ou 5 amigas nessa condição), e estão organizando um encontro de 30 anos. Para isso começaram a encontrar e chamar outras pessoas. Formou-se um grupo bem grande no WhatsApp, com as pessoas trocando imagens do passado, mostrando filhos e até netos, uma grande fofocaida do bem!
Muitas risadas ao percebermos que todos estavam usando óculos, e espanto em ver que muitas pessoas pouco mudaram, e que alguns de nós estão francamente mais bonitos hoje em dia... cada vez que você abria o grupo tinha 100, 200 mensagens novas (o que pode ser um saco para muitos) eu estava me divertindo ao ver o entusiasmo das pessoas... 

Tudo corria muito bem, com alguns reclamando do excesso de mensagens, até que um dos membros do grupo postou uma imagem super desagradável.. a meu ver: (ao lado)
Eu fiquei esperando a reação das mulheres do grupo, até para entender o "contexto" possível daquela imagem... contei até 10, 20... passados mais de 15 minutos eu vi que ninguém falou nada... mas como sou meio lesado eu queria entender porque raios aquilo apareceu  e ninguem falou nada... então eu postei no grupo:

- Fulano (me dirigindo ao que postou) porque você postou essa imagem? Não entendi o contexto dessa imagem nesse papo de pessoas que estão se encontrando depois de 30 anos...
- De que imagem está falando ? (me pergunta o mesmo fulano)
- Seria bom a gente não perder o foco do grupo (argumentou a amiga que abriu o grupo)
- Estou falando dessa imagem com a mulher "dando pro marido e pro amante"! (disse eu... como se eu acreditasse que ele não sabia do que eu estava falando)
- Que imagem? (insistiu ele, claramente ele queria me intimidar a mudar de assunto... e eu fazendo a Polyanna)
- Fulano, como amigo de muitas mulheres e pai de uma mulher eu queria entender o contexto dessa imagem (dessa vez eu me dei ao trabalho de anexar a referida imagem novamente)
- Ah isso! Hahaha, acho que eu estou precisando de óculos como todos do grupo, acho que postei errado... "mas todos aqui são maiores de idade e não acredito que se acham surpresos com uma imagem sensual" (me respondeu o Fulano)
Contei até 10... 14...16... pensando seriamente em não responder... mas não deu...
- Desculpe Fulano, esta imagem não é sensual... é misógina e sexista...
Ai já apareceu um monte de gente aplaudindo...  ele dizendo, ok, desculpe foi sem querer...mas eu continuei pois já que tinha merda no ventilador...

Disse isso e me retirei do grupo...
 ( no final agora vejo ficou meio confuso... eu queria dizer que eu não concordo com minha avó que dizia - os incomodados que se retirem - eu acho que os incomodados tem o direito de se sentirem incomodados desde que respeitem os outros)
Acabei recebendo várias mensagens em privado, especialmente das amigas, agradecendo meu posicionamento, e ate um colega, que eu não falo há mais de 20 anos, me ligou para dar parabéns e me convidar para um almoço ou happy hour agora na próxima terça.
Por mim o assunto estava encerrado... eu realmente fiquei chateado com a história toda e senti que não dava para ficar lá fingindo que nada aconteceu, e fiquei triste por ver um colega de faculdade, de um curso tão cabeça aberta, ter este tipo de atitude...Mas para o Fulano não estava terminado... e o que se seguiu foi mais ou menos assim:

Uns 20 minutos depois que eu sai do grupo toca o meu celular, um número que não conheço, era o Fulano, e olha a primeira frase do cara:
- Poxa, não entendi seu comentário, se fosse uma mulher criticando o que eu disse até entendia, mas um homem fazendo isso é ridículo...
- Cuma? (nem soube o que responder)
- Eu não gostei que vc me chamou de misógino, eu nem sabia o que era essa palavra, tive que procurar no google para ver o que era, eu me ofendi, eu não sou um cara que odeia mulheres, eu tenho esposa, tenho neta eu me ofendi.
- Quero que você entre lá no grupo e me peça desculpas por ter me ofendido...
- Cuma? (nem lembro se falei algo)
- Eu quero que você entre lá no grupo e me peça desculpas na frente de todos, ficou muito mal para mim...eu me senti ofendido e quero que você resolva isso!
Ai ele parou de falar e eu pude argumentar algo como:
- Fulano, eu não disse nada sobre você, eu disse que a imagem que vc postou era misógina e sexista, um cara que respeita as mulheres jamais sequer teria postado uma imagem daquela, em qq grupo, aliás, nem deveria ter aquilo salvo no telefone, eu não vou voltar para o grupo e não acho que preciso me desculpar com você!
- Se você não fizer isso eu vou ter que tomar providências, se a gente tivesse pessoalmente a história seria diferente (sentiram o cheirinho de ameaça?). Vai ser por sua causa que eu vou ter o quinto infarto! Você foi muito covarde de falar aquilo e sair!
Eu estava com vontade de terminar aquele papo mas tava difícil escutar tanta abobrinha:
- Fulano eu sinto muito que você tenha tido quatro infartos, com certeza não fui eu quem os causou, mas pelo que estamos conversando posso lhe garantir que a sua questão é muito mais psicológica do que cardiológica, seu estado emocional alterado por uma palavra que você nem sabia que existia mostra isso. Se você acha que eu fui covarde, que eu estou errado e que eu tenho que aguentar consequências por favor fique á vontade, tudo que eu disse foi por escrito e você pode usar contra mim.
- Você me ofendeu usando palavras que eu nem conhecia, eu não odeio as mulheres, a imagem era só sensual!
- Se você não conhecia o termo misoginia é porque você não está minimamente envolvido com a defesa das minorias e não entende como o preconceito contra as mulheres tem feito vitimas ao longo dos anos!  respondi eu.
- Você está sendo irônico e sarcástico, você sempre foi muito esquisito na faculdade, (!!!!) eu sempre observei isso - emendou o Fulano...
- Fulano, eu realmente era estranho e esquisito na faculdade ... porque eu era viado, bicha, invertido, boiola, pederasta... e talvez isso fosse estranho para você! (mal sabe ele que sou mais viado e bicha hoje em dia)
- Então você vai entrar lá e se retratar? 
E eu: - Sem chance, se eu entrar lá eu vou acabar usando mais palavras que você não conhece e vai ficar pior,  e tem mais, a sua ligação está me incomodando e eu quero desligar! tá... ai meu nível de ironia e sarcasmo atingiu o ápice!
- Então você admite que me ofendeu e que eu estou certo em pedir retratação.
- Fulano, pense o que você quiser, vou desligar, boa tarde!

Eu mereço? O pior para mim foi ele falando, mais de uma vez  que "se eu fosse homem ele até entendia minha reclamação".. cara, que machismo indecente, nojento! Os preconceituosos estão em todos os lugares e destilam seu veneno de todas as formas...
Olhando de fora eu fiquei pensando que não deveria ter saído do grupo, mas como eu detesto briga, achei melhor sair... e depois no telefone, resolvi encurtar algo que não iria a lugar nenhum... e só ia mesmo causar um infarto no cara... mas fica difícil ficar quieto ás vezes!

E você, nas duas situações como teria agido? Já passou por algo parecido?





8 de fevereiro de 2017

Sentimento zero...

Em alguns dos meus posts eu já tive a oportunidade de falar sobre a "não-relação" que tenho com meu pai... uma coisa que me causou muito sofrimento emocional e que eu só consegui administrar - mais ou menos - há alguns anos atrás, quando algumas coisas ficaram mais claras.

Esta semana ele está internado, com uma infecção (erisipela)  que começou na quarta e foi piorando, e ai me bateu o dilema, visitar ele no hospital ou não? 

Vontade zero... 
Não só por todo o histórico da "não relação", que culminou com ele simplesmente ignorando meu casamento (nem foi e nem presente), mas com todos os recentes agravantes, como o fato de que, no inicio do mês, quando minha filha teve uma crise renal e ficou internada 5 dias ele não teve a dignidade de sequer ligar perguntando como ela estava, se precisava de algo (sabe, como a gente faria se o cachorrinho da amiga estivesse doente) e nem comemorar - nem que fosse no grupo de whatsapp da família - o fato dela ter saído do hospital...

Mas por trás da vontade zero eu tenho sempre o meu lado "conciliador" e "pacifico", que já foi visitar muita gente doente as quais eu não tinha nenhuma relação formal e fico com um pensamento do tipo... "Não custa nada visitar"...  

Hoje em dia as atitudes dele me agridem bem menos, ou pelo menos eu prefiro sentir assim. Mas me parece tão injusto, emocionalmente falando, eu ir visitar ele, dando a entender que eu não ligo para o que ele faz, ou, o que é pior, que eu ligo mas mesmo assim eu perdôo... Me parece ser uma violência que eu posso evitar e mesmo assim "escolho" sofrer. Mais ou menos como querer visitar Chernobyl porque "simpatiza" com os Russos...

Ai também aparece minha mãe buzinando no meu ouvido... que se eu não for visitar e "acontecer algo" eu vou "me sentir culpado" ... e que eu  "não devia guardar rancor por todas as coisas que ele fez" porque eu "sou muito mais humano e melhor que isso"... o que me chateia profundamente...  pois me bate uma coisa do tipo "será que ela não percebe tudo que acontece?", " será que ela não percebe que ele é uma pessoa do mal?"
Eu até entendo a história dela, apesar de estarem separados há muitos anos ela deve guardar algo bom ainda, afinal ele foi o primeiro homem dela (e único ate onde eu sei), é pai dos filhos que ela tanto ama. Mas ela conseguir relevar todos os maus tratos psicológicos que sofreu, as vezes que apanhou dele, as humilhações, as traições... é bem difícil para entender... Eu sei que muito - tudo - que ela aguenta é para nos proteger, nos manter unidos de certa forma...

Eu estou me decidido a não ir, especialmente porque é uma doença SUPER CONTAGIOSA e não tem porque me arriscar...  
mas tem todo um lado meu que fica buzinando que devo ir, que sou melhor que isso, que estou cagando e andando... porque eu sei que eu ir visitar ele não vai mudar nada... e eu sei que sempre vou ficar com aquele esperança idiota que algo mude...

E no meu lugar o que você faria? Colocaria a "veste da boa vontade" e iria visitar ou apertaria o botão FODA-SE?

3 de fevereiro de 2017

Os prazeres da normalidade...

Esta semana, um amigo, que foi casado com uma mulher, teve dois filhos, e há alguns anos entendeu que precisava viver a sua orientação sexual de forma plena, estava comemorando uma vitória significativa...
Pela primeira vez estavam jantando juntos ele, os filhos, a mãe dos filhos, o namorado da mãe dos filhos e o namorado dele, que também estava acompanhado da filha dele e da ex-esposa.. uma verdadeira festa dos "meus, seus e nossos"...
Pelo que eu sei, em casais que se separam, já é considerado uma PUTA vitória quando o casal consegue ficar amigo... quando entram novos companheiros é mais difícil ainda... porque por mais que as coisas estejam "resolvidas" acho que permanece um certo sentimento de posse e ciumes... 
Agora imagina colocar nessa equação da relação com o ex, o fato do ex ter "saído do armário" e assumido sua condição homossexual... 

Com certeza ele tem motivos de sobra para comemorar!

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Ás vezes pode parecer bem "estranho" comemorar algo que deveria ser "normal" (?) Mas no caso da homossexualidade, em que os parâmetros da "normalidade" são diferentes, isso é bem significativo. Eu mesmo passei recentemente por um desses momentos de "doce normalidade" uns dias atrás...

Foi aniversário de um ano, e batizado, das filhas do meu cunhado (as quais o Mr. Jay é padrinho) e eles fizeram um festão de três dias aqui  no interior de SP ... mas o que me marcou foi o jeito como fui tratado... Eu fiquei super feliz com o tratamento que recebi da família da esposa do meu cunhado... fui tratado o tempo todo, e apresentado, como TIO das meninas...
Agora vc deve ter dado aquela parada e se perguntado:
-DÃÃÃÃ, vc é o tio das crianças o que tem isso de importante? como vc deveria ser tratado?

Se você pensou isso são duas as probabilidades...a primeira é que vc é heterossexual, e não tem ideia do que é não ser aceito... a segunda probabilidade é que vc nunca tenha tido um relacionamento longo qe lhe confrontasse com essas questões de "ser apresentado" á família... ou sempre é apresentado como "amigo"... 
Ser aceito plenamente, dentro da tal normalidade, ser apresentado como quem vc realmente é, poder estar do lado do cara que vc ama de maneira plena, não é algo tão simples e normal para quem é gay... não mesmo!
É uma sensação muito boa e libertadora... e até mesmo divertida... pela sensação de liberdade...

Tenho que acrescentar que meu cunhado, único irmão de meu marido, "apesar" (kkkk) de ser hétero é muito gente boa... e a esposa dele também... eles foram padrinhos do casamento e nem hesitaram em vir mesmo com as filhas com pouco mais de oito meses, ou seja, um casal dez, que com certeza vão criar filhos para este mundo melhor que precisamos... especialmente com o TRUMP dando ordens...

E você, já passou por essas situações de se sentir "normal"?

Adicionar legenda


30 de janeiro de 2017

CORAGEM DE SER!


Existe uma máxima que diz que para sermos realizados na vida precisamos: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro - não necessariamente nessa ordem imagino eu... 

Então, por esse critério acabo de atingir a tal "vida plena" ... como se existisse uma fórmula para isso! Meu primeiro livro está saindo do "prelo" nos próximos meses (provavelmente maio). Sexta feira aprovamos a capa! 
Eu já tinha falado um pouco do projeto no ano passado, quando entregamos os originais lembram? No final foram selecionados 15 depoimentos de homens que foram casados com mulheres e depois entenderam melhor sua orientação homoafetiva, depoimentos que mostram diversos aspectos desses processos de descoberta: 

Um depoimento que me emocionou muito, foi quando um deles descreve como, quando criança, conseguiu mudar de escola - para fugir da perseguição da outra escola por ser muito afeminado - e passou, na escola nova a "imitar" os outros meninos, o jeito de sentar, de coçar o saco, de falar sobre mulheres... para ser aceito e menos perseguido... uma atitude que muitos de nós tentamos em diferentes momentos de nossas vidas não é mesmo?

Outro é o de um homem que quando vê sua noiva entrando na igreja começou a chorar e pensou algo como "pronto, agora eu vou casar e ter filhos, e não vou ser mais gay, não vou mais pensar nisso" o que mostra o stress psíquico que estes homens vivenciaram...

Chega de spoiler!

São muitas histórias de vida, de amor, de luta e de coragem... o nome do livro? CORAGEM DE SER!

E você será que conhece um pouco da vida desse homens gays que foram casados com mulheres?