2 de dezembro de 2016

sorodiscordantes

Ontem, dia 1 de dezembro, foi o dia mundial de combate e prevenção á AIDS. Eu já publiquei muitos artigos falando sobre este assuntosobre, muitos aspectos envolvidos. (clique AQUI

É interessante perceber que quando um assunto vem a tona na mídia, na sociedade, aprendemos coisas novas... esta semana estou aprendendo sobre PANE SECA e sobre procedimentos de segurança em aeronaves e aeroportos (e um pouco sobre milagres já que tivemos 6 sobreviventes)... já aprendi sobre TSUNAMIS, sobre PEDALADAS FISCAIS, e sobre muitas outras coisas... nada suficiente para me tornar especialista, nem ter grandes opiniões sobre estes assuntos, mas o suficiente para me tirar da ignorância "basal".
Resultado de imagem para mixede status relationship gayComo eu sou um mocinho da época "pré-HIV" eu também tive que aprender sobre o vírus e sobre a doença. E uma das coisas que tive que aprender foi sobre "sorodiscordantes". Para quem não conhece o termo, sorodiscordantes se refere a pessoas que se relacionam - sexualmente - e tem seu status sorológico discordante, enquanto um é soropositivo o outro é soronegativo (1).

Existem diversas doenças, e não somente o HIV, em que o parceiro pode não ser portador da doença e ser contaminado, incluindo prosaicos resfriados. A questão do HIV é o fato da cura não ter sido encontrada ainda e a eventual letalidade envolvida com a contaminação. com a TRANSMISSÃO HORIZONTAL DIRETA (este eu também aprendi).

Eu penso que relacionar-se, com alguém soropositivo não é uma questão simples, e envolve vários fatores:
1. Primeiro é o quanto vc gosta daquela pessoa, pois mesmo que esteja num começo de um relacionamento, e ela te conta algo que vc não esperava, esta ou outras questões (2), vc já consegue medir, de certa forma, se vale a pena ter aquela questão entre vocês e se vale a pena ir em frente.
2. Segundo é o quanto vc conhece sobre o assunto, se vc conhece algo sobre a transmissão do HIV, sobre termos como "carga viral zero", sobre os medicamentos, expectativa de vida, sintomas e tudo o mais. E também, no caso da AIDS, sobre o preconceito. Acho que uma pessoa que não conheça nada sobre o HIV tem menos chance de superar o seu preconcieto interno com relação a isso.
3. Uma terceira coisa está relacionada ao segredo... em que ponto aquela pessoa te conta ? Em que momento do relacionamento ela abre o jogo com vc e te conta que é soropositiva? Eu penso que se isso for feito logo no começo vc já tem um ponto a favor da pessoa, a honestidade, a sinceridade e uma maneira direta de encarar a vida. Acho que se ela esperar vc "se envolver" para contar ela vai estragar a confiança que você tem nela...

Resultado de imagem para differencesMas, se a pessoa não-soropositiva não tiver abertura para um relacionamento pautado pelas diferenças, nem tendo estes tres pontos em mente ela vai conseguir superar isso. Pois temos que lembrar que para um relacionamento "frutificar" temos que lidar com dezenas de outras "discordâncias" , desde hábitos, hobbies, gostos, comidas, diferenças profissionais, de idade, de etnia...etc etc...
Eu não recrimino quem acha que não daria conta disso, ou quem já passou por essa situaçao e não deu conta, eu mesmo não tenho certeza de qual seria minha reação em várias situações. Acho que tudo faz parte de um aprendizado, de uma vivência.

Lembrando que as pessoas soropositivas também tem aprender a lidar com isso. Tenho um amigo, que se descobriu portador do HIV há mais de 15 anos, que lida da seguinte forma: -"eu conto para quem precisa contar! Eu estou com carga viral negativa, uso preservativos sempre, se eu vou sair com um cara mas já sei que não vai dar em relacionamento eu nem conto, ele não precisa daquela informação e eu sei que não vou fazer mal  a ele, se ele me transmitir um resfriado forte pode ser pior para mim, pois mesmo em tratamento o meu sistema imunológico ainda é mais fraco."

E você, o que acha do relacionamento entre pessoas sorodiscordantes? Acha que encararia de boa?  Ou pensa que isso poderia atrapalhar seu relacionamento?  Você faria como meu amigo e não contaria se não achasse importante?



(1) a Revista FORUM fez uma matéria interessante sobre o assunto, leia AQUI
(2) por exemplo : se a pessoa tem filhos, se ela foi presa, se ela foi garoto de programa, e milhares de outras questões, sem fazer aqui juizo de valores ou comparações, apenas questoes com que vc vai ter que lidar no relacionamento

23 de novembro de 2016

LIMITES...

Rondonópolis - MS (vista a partir do topo do Hotel Confort)
No final de semana eu viajei até Rondonópolis, no interior de Mato Grosso do Sul, onde mora o irmão do Mr. Jay. 
ROO(1) é uma cidade de 140 mil habitantes, com uma boa qualidade de vida - se você tiver um bom ar-condicionado no carro, em casa e no trabalho😤 - mas o que me chamou a atenção foi o fato da cidade ter um "limite",  a cidade ter um fim bem nítido!

Do topo do hotel em que estávamos hospedados dava para ver o fim da cidade de todos os lados... O que é uma situação bem inusitada para alguém que mora em São Paulo, ou em outras cidades grandes, que na prática não tem limites, pois são tão conectadas ás suas cidades vizinhas que não se pode perceber claramente onde começa uma cidade e onde termina outra...(2) 
Me parece que ser paulistano, ou morar em São Paulo,  nos faz perder um pouco essa sensação de limites, a gente tem acesso a muita coisa, manifestações culturais de todos os tipos, coisas gratuitas e coisas vip caríssimas, uma cidade que funciona em grande parte 24 horas, tudo superlativo como bem sabemos... acho que acabamos adquirindo uma certa sensação - ou certeza - de que tudo é possível, tudo está ao alcance!

Ver os limites de Rondonópolis me fez pensar nos nossos limites. Nos limites que nos impomos, nos limites que nos são impostos... Nos limites que como pai tive, e tenho, que impor... e isso é bem complicado ás vezes...
Como pai eu sempre me preocupei em mostrar à minha filha que ela não deveria se impor limites, que deveria acreditar que ela pode tudo, e que não deveria se deixar abalar com a ideia da sociedade (machista) de que tem coisas que ela "não pode" ou não "consegue" por ser mulher. Desde muito pequena eu ensinei ela a tomar suas decisões (dentro do limite de cada idade) e arcar com as responsabilidades, deixando sempre ela dar umas "cabeçadas", pelo menos sempre que estas cabeçadas não ofereciam perigo real. Me parece que deu resultado pois vejo que hoje ela é uma jovem bastante independente (até demais na opinião do Mr. Jay 😃) e capaz de saber o que quer, o que é melhor para ela.
Resultado de imagem para limitesMas isso não me libera das "atribuições" do "cargo" de pai. Ainda tenho que impor alguns limites, alguns parâmetros, especialmente quando antevejo que sua integridade física pode estar em risco. Acho que ela, por ser uma "menina da cidade grande", e estar um pouco imbuída nesta sensação da "falta de limites" que as metrópoles nos concedem, ás vezes não percebe que os limites que ela aprendeu a não se impor ás vezes podem trazer riscos (coisas como planejar ir a shows em estádios sozinha, ou não prestar atenção que em certos horários certas regiões podem ser perigosas... e até mesmo não se alimentar com a atenção que seu corpo franzino - e agora vegetariano -merece)

Do mesmo jeito ainda estou aprendendo a lidar com os meus limites, com os limites que imponho a mim mesmo em especial, coisas que ás vezes me pego pensando 
eu não "consigo" isso, 
não "posso" fazer isso na minha idade, 
o que as pessoas vão "achar" se eu fizer isso?
Blame on me! Isto é um aprendizado constante, um vigilância e um treino permanentes, para não cair nessas armadilhas do que "acreditamos" que não podemos!

E você, é uma cidade sem limites? Ou vive brigando com os limites que você mesmo se impõe?




(1) ROO é o código do aeroporto da cidade
(2) Eu conheço outras cidades com limites, aliás várias, mas estar no topo do prédio, e ver estes limites tão claramente, é que despertou essa minha reflexão.




9 de novembro de 2016

CUNT! (1)

Eu não sei vocês, mas eu acordei com um susto hoje! 
Eram 7 horas da manhã, o Mr. Jay estava saindo para uma reunião do trabalho e eu acordei um pouquinho, mesmo com ele pé-ante-pé no quarto para evitar fazer barulho... eu podia dormir até ás 7:30... e este soninho extra sempre é maravilhoso não é? 
Mas quando ele me disse "O Trump ganhou!" eu entrei em choque, pasmei, palpitações, perdi totalmente o sono... aliás fiquei "passado", melhor "passado e engomado"!

Se eu já senti a sensação de vergonha com as nossas eleições, como ter o Bolsonaro como o mais votado, então eu entendo perfeitamente o que alguns americanos estão sentindo... Ontem a Miriam Leitão disse que a Hillary tinha conseguido uma façanha, unir o PT, PMDB, PSOL, PSDB, PCB e todos os outros partidos, pois todos achavam que a eleição dela era o melhor para o Brasil! E ninguém admitia a possibilidade dela não ganhar!
Como o Renato Gentile apontou no FACE ... depois do "nine eleven", agora os americanos vão lembrar do "eleven nine"

Eu não sou analista politico, nem expert em sociedade, mas me parece que Temer, Brexit, Putin, Dória, Le Pen, Bolsonaro, Estado Islâmico, e outras coisas, tem muito mais em comum do que parece... e não pelo que eles fazem, mas pelo que os outros NÃO FAZEM!
A minha percepção é que os progressistas -  e eu me incluo humildemente como um deles, como uma das pessoas que pensam e lutam por um mundo mais justo, um mundo com menos desigualdade, um mundo melhor para nossos filhos -  não estão conseguindo sensibilizar a sociedade. 
O que se convencionou chamar de "esquerdas" não está conseguindo mostrar para as pessoas que a "revolução"(2) para um mundo melhor vai ser boa para todo mundo! As "esquerdas", ou os "democratas" ou "socialistas", que chegaram ao poder, se perderam na busca de poder, pois acreditavam que os fins justificavam os meios! 
Enfiaram o bolsa família (ou o obamacare, ou os imigrantes sírios) pela goela de uma parte enorme da população porque acreditavam ser o melhor (e eu concordo), acreditavam que com o tempo todos entenderiam isso, e passariam a apoiar...só que isso não aconteceu... não convenceram milhões de mulheres, operários, pobres, negros, hispânicos, LGBT que se não tivessem votado no Trump ele não venceria... nem o presidente do Brasil se chamaria Michel!
Resultado de imagem para não sabe de nada inocenteDe alguma forma os progressistas são "uns inocentes" por acreditarem em contos de carochinha, em não verem que as leis que protegem as mulheres, apenas para citar um exemplo, tem mais de 50 anos e ainda há muito o que lutar... Em acreditarem que os métodos doutrinários e as imposições - que são parecidos com os métodos reacionários - vão realmente convencer as pessoas do que é "melhor".

Qual o caminho? Eu não sei! Mas o recado é claro, o fundamentalismo partidário, ou ideológico, tem que ser revisto, repensado, para que ele possa oferecer alternativas reais de mudanças revolucionárias, no melhor dos sentidos, propostas para o futuro do homem, propostas de reflexão, de um novo homem. Um homem em que o amor e a empatia sejam mais visíveis que o próprio umbigo, um homem aberto a mudanças, um homem possível, talvez menos capitalista, menos consumidor compulsivo, mas eu não sei bem como fazer isso!  Mas estou disposto a apoiar o caminho, mesmo que só meus netos vejam o resultado!


E você? Como acordou hoje? Está com medo do futuro? Ou está tranquilo? O que precisa ser feito para termos um homem melhor no futuro?


(1) CUNT é considerada "the most offensive word in the English language" por muitos falantes do idioma do bardo, é a palavra que o Michael, amigo americano do Mr. Jay, usou para definir o Trump no sábado quando jantamos juntos... fico imaginando o mau-humor dele hoje!
(2) eu acho que foi BURKE que disse que os "reacionários" e os 'revolucionarios" querem a mesma coisa, negar o presente! Os "reacionários" acreditam que o MELHOR do homem está no passado, que o homem piorou e que só a volta ao passado vai nos trazer o melhor, já o "revolucionário" acha que o MELHOR do homem está no futuro, e só uma ruptura com o presente pode levar a isso!
(3) Pelo que sei a eleição americana já teve repercussão no sistema solar... Marte acaba de endurecer as leis de imigração... não vai dar para se refugiar lá! Clique AQUI e saiba mais



3 de novembro de 2016

EMPATIA REACIONÁRIA

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Considerando EMPATIA como: a "capacidade" psicológica de tentar compreender e sentir como se fosse a outra pessoa, eu diria que sou uma pessoa bastante empática!  Mas nos últimos tempos a minha empatia parece estar sendo posta a prova...

Nos colocarmos no lugar da outra pessoa, andarmos com os sapatos dos outros, nos possibilita exercitar outras possibilidades para nossa vida, experimentar outras existências, a empatia nos possibilita ajudar o outro nos termos do outro, a empatia nos torna solidários, a empatia nos torna até mesmo mais humanos.

Eu não sei dizer ao certo se a empatia é uma "qualidade" inerente á pessoa, seé algo que é "processado" no cérebro ou no coração, provavelmente um pouco dos dois, pois a empatia é um aprendizado, um exercício que nos leva ao aperfeiçoamento. Eu fui voluntário do CVV por mais de dez anos e foi lá que eu efetivamente aprendi muito sobre empatia, mas eu já era empático, pois sem empatia não há solidariedade nem trabalho voluntário... só dá para para ser empático com honestidade e com sinceridade no coração, na alma.

Como pai, como educador, eu muitas vezes lanço mão do exercício da Empatia para ajudar minha filha a entender algumas atitudes minhas e dela, e até mesmo o limite de atuação de nossos papeis na vida. Quando ela era criança, algumas vezes, quando ela "aprontava" alguma coisa, eu pedia a reflexão dela: "se você fosse a mãe, ou o pai, nessa situação, o que você diria/faria com seu filho ou filha?". Mesmo hoje em dia, algumas vezes quando ela faz alguma coisa que me deixa preocupado, ou triste, eu peço que ela tente se colocar no meu lugar para entender minha atitude ou minha chateação/tristeza com ela... quem sabe eu tenho ajudado ela a aprender a ser empática com isso...

Resultado de imagem para empatiaMas nos últimos tempos eu tenho tido muita dificuldade de exercitar minha empatia em alguns aspectos. Gays reacionários (ou de direita) são um bom exemplo disso. Eu não consigo entender um LGBTT que apoia o TRUMP - ou o Bolsonaro. Não precisa "gostar" do Jean Willys, (eu também tenho minhas restrições com ele) mas também não dá para ser contra tudo que ele defende e luta para mudar. Quer outros exemplos? Eu não consigo ser empático com a dupla Dolce/Gabanna dizendo que são contra gays terem filhos, nem com o único vereador gay assumido de São Paulo (que eu me recuso até a dizer o nome)  ser contra a secretaria da diversidade... nossa, como é difícil me colocar no lugar dessas pessoas!

Racionalmente eu até entendo (não quer dizer concordo) quem critica o "movimento" LGBTT, dizendo que não é representativo, que não ouve nem mobiliza a sociedade para as lutas. Racionalmente eu até entendo que as pessoas tenham sido criadas em ambientes  opressivos e não consigam imaginar um mundo diferente do "normal" -  e terem muito medo disso. Eu entendo quando o  Paulo Freire que diz que "dependendo da educação, o sonho do oprimido é se tornar opressor".
Racionalmente eu entendo, mas emocionalmente eu não compreendo... 

A minha primeira sensação é que falta empatia a essas pessoas, empatia para entender quantas pessoas sofrem pela falta de direitos, pela perseguição e pela violência. Eu diria que estas pessoas lgbtt ,que defendem políticos que são contra os direitos LGBTT são "xaropes", loucos "de carteirinha", "manés" e "idiotas".... ou seja, eu não consigo me colocar no lugar do outro de maneira respeitosa, não consigo compreender o outro para aceita-lo... eu não consigo ser - honestamente e sinceramente - empático... 
Isso me deixa um pouco confuso, eu, que sempre defendi o direito das pessoas de discordar, começando a julgar e "diminuir" as pessoas que pensam diferente de mim! O que me conforta é que eu não tenho nenhuma pretensão de ser canonizado, de ser santo, então eu "não sou obrigado" a ser legal com gente que quer "fuder" a vida dos outros!

E você? O que pensa dos GAYS que são contra os direitos gays? O que pensa dos gays que apoiam Bolsonaro ou Trump?


25 de outubro de 2016

Segurando vidas...

Tim Conigrave and John Caleo
Tim e John (os verdadeiros)

No final de semana eu assisti um filme no NETFLIX que me impactou muito! HOLDING THE MAN 
Este é um filme autobiográfico, que narra a história de vida dos australianos Tim e John, desde quando se conhecem no ensino médio e os 15 anos que ficaram juntos
Acho que se eu comentar qualquer coisa da vida deles, da história, eu vou atrapalhar a sua emoção quando assistir, pois ela é cheia de altos e baixos e de reviravoltas. E eu adoro assistir filmes sem saber muito da história, eu quero ser surpreendido da forma que o diretor do filme, ou o autor do roteiro, ou o autor do livro, imaginou...  raramente leio resenhas de filmes antes de assistir, o que é cada vez mais difícil hoje em dia!

Impactou também saber que o livro que originou, além deste filme de 2015,  uma bastante premiada peça de teatro, foi finalizado apenas 10 dias antes do autor morrer! Eu mais que recomendo!

Você já assistiu? O que achou? Depois de assistir me conta!

20 de outubro de 2016

O abuso nosso de cada dia...

Resultado de imagem para gay abusive relationshipComo nada é por acaso... há uns dias eu assisti um vídeo no YouTube do canal JOUT JOUT PRAZER que falava sobre relacionamentos abusivos... nem sei bem como cheguei nela... acho que foi por conta de uma entrevista que ela deu ao Jô Soares... 

Para ver o vídeo a que me referi clique AQUI - vale a pena!

O que mais me marcou no vídeo, que pelo que entendi tinha muitos insights autobiográficos da protagonista, foi ela enfatizar que muitas vezes a pessoa está num relacionamento abusivo e não sabe... ela até encerra o vídeo recomendando que ajudemos alguém que está vivendo um relacionamento deste tipo a sair dele!
Eu passei por muitas coisas que ela conta, incluindo "brigar por coisas que nem sei e sempre achar que eu estou errado". Eu me identifiquei muito com várias coisas que ela disse, pois eu vivi um relacionamento abusivo e - acho que - não sabia! Não era um relacionamento com violência e agressões, era mais uma certa "dominação psicológica" que de certa forma eu mesmo alimentei!

Acho que no meu caso eu não posso creditar toda a situação que passei unicamente á postura do meu ex. Eu reconheço que eu vivia uma questão pessoal, do ponto de vista psicológico, que levou a isso. Eu tinha um certo sentimento de "não valorização", de que eu só "seria feliz se estivesse junto com alguém" e que "eu tinha que fazer de tudo para dar certo porque senão ninguém ia querer ficar comigo", talvez o nome fosse "baixa auto-estima"
Então, de certa forma, eu me deixava abusar. E ainda havia a questão do ciúmes... que também é uma armadilha que vai te enrodilhando na questão do abuso... porque você sempre tem a tendência de "ser compreensivo" com o ciúmes ( e o controle que o outro tenta te impor) achando até "bonitinho" ele gostar tanto de você que quer sempre você "por perto"
Eram ameças de rompimento, de abandono, de separação, eram "greves silenciosas", e tudo isso me abalava profundamente.
E é uma espiral, um redemoinho de areia movediça, você nunca sabe por onde escapar, por onde começar para mudar... e vai ficando cada vez mais envolvido..

Hoje em dia eu fico bastante atento a isso, comigo, com as pessoas á minha volta. São pequenas "armadilhas mentais" que você se impõe sozinho a maioria das vezes.

Resultado de imagem para gay couple cartoonCom o Mr Jay - o meu maridinho - eu sinto que corro pouco risco disso acontecer, pois, apesar dele ser muito crítico e incisivo (cáustico eu diria) na sua postura de vida, eu percebo que comigo ele está sempre preocupado em defender meu espaço. Se eu ameaço não ir para a aula, para aproveitar um dia que ele está em casa, ele prontamente me lembra o quanto eu gosto do meu curso, o quanto volto animado das aulas - o que não quer dizer que quando chega 22:30 ele não começa a mandar carinhas tristinhas em msg dizendo para eu voltar logo.... ele inclusive me defende de outros abusos, aliás muitas vezes ele parece acreditar que eu não sei me defender...me protegendo até da minha filha - porque, saibam vocês, os filhos ás vezes "abusam" dos pais! Ele é ciumento, mas mais do tempo junto comigo, de eu ter que me dividir em meus outros assuntos, mas sem exageros, eu não deixo de fazer nada que preciso, ou quero, como acontecia antes.
Mas isso, tenho quase certeza, também acontece dessa maneira entre nós  porque eu aprendei a "me defender", a acreditar no meu valor, a saber tudo que eu também ofereço ao relacionamento, que eu sou "gostável", que eu escolhi estar com ele, me casar com ele, eu não precisava, eu queria! E ele escolheu casar comigo, estar comigo... talvez a consciência do amor - talvez diferente da sofreguidão da paixão - é o que evita um relacionamento abusivo...

E você ? Já vivenciou um relacionamento abusivo? Conhece quem já passou por isso? O que aconselhar?





5 de outubro de 2016

A "ditadura" gay.


Quando vc vai comprar um simples "cheirinho de banheiro" e o aroma é de TARDE FABULOSA... vc percebe que a tal da ditadura gay já está implantada! (kkkkk)

Prepare-se, é um texto com muitas "aspas"!

Os fundamentalistas e os homofóbicos, e todos que de alguma forma são "contra" os direitos LGBTT, sempre alegam que esses direitos estão relacionados a uma tal "ditadura gayzista". Eu não sei exatamente o que significa essa expressão mas pelo que eu entendo essas pessoas acham que se foram aprovadas leis que protejam as minorias, leis não discriminatórias, leis que punam quem sai dando lâmpadadas na cabeça das pessoas ou que cerceiem os que fazem discursos agressivos e ofensivos aos LGBTT, os gays passarão a ser um grupo "dominante", que imporá seu "estilo de vida" á sociedade... 
Acho que o Rafuko foi mestre em ironizar a questão da ditadura gay! Clique AQUI para ver o vídeo.

Na realidade a "ditadura gay" já começou faz tempo! Desde que o mundo é mundo os homossexuais estão envolvidos com as artes, com a ciência, com a cultura, com a arquitetura, e em todos os campos! As gravatas - inclusive as horrorosas - que os pastores usam, foram provavelmente desenhadas por um gay, o cabeleireiro da mulher do pastor é gay, os figurinistas e maquiadores da Record são gays! Mas, tirando este lado quase "caricato" da homossexualidade existem outros motivos para ficarmos felizes com a implantação da nossa "ditadura"!

Será que se o Bolsonaro usar "tarde fabulosa" no banheiro ele vai começar a desmunhecar?

A "ditadura", aboliu há muito tempo profissões "femininas e masculinas", existem frentistas de postos mulheres e motoristas de ônibus mulheres ( acreditem ou não isso era PROIBIDO há uns 15 anos), existem homens que não trabalham para cuidar dos filhos enquanto as esposas trabalham e existem homens até que criam os filhos sozinhos - há alguns anos NENHUM juiz daria a guarda de um filho ao pai numa separação -  meninos podem usar rosa, meninas podem usar cabelos curtos... O "gayzismo" (que seria a ideologia da ditadura gay)  está fazendo as pessoas pensarem cada vez mais na questão de gênero, a discutirem os papeis das pessoas na sociedade, e até mesmo agora apoiando as pessoas que se identificam com um gênero diferente do que nasceram, e até as que se consideram "sem gênero", até mesmo escolas que aboliram uniformes "de meninos" e "de meninas".
E me parece que tudo isso, esta postura da sociedade, já está bem solidificada, a aceitação e a compreensão de muitas questões já fazem parte do dia a dia... conversando com um amigo, psicólogo, que sempre era chamado a falar sobre a questão a homossexualidade em debates e entrevistas, ele me disse "os gays saíram de moda! agora todo mundo só quer falar sobre transsexualidade e questão de gênero"... olha ai mais uma prova da "ditadura gayzista" implantada!

Para quem ainda não entendeu isso o meu conselho é - o já clássico - relaxa que dói menos!


E você o que acha? Já está vendo sinais da "ditadura"? Ou vc prefere só a "dita" DURA?

27 de setembro de 2016

É impossível ser feliz sozinho...

A música Wave, do Tom Jobim, eternizada pelo João Gilberto, é um standard na minha "vitrola"
Toca o play e lê o texto!




"Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho" é quase um resumo de minha vida!

Eu sei que a gente não deve basear a nossa vida nos outros... 
Eu sei que temos que aprender a viver por nós mesmos... temos que nos "bastar"
Eu sei que não devemos debitar nossa felicidade em estar acompanhado... em outras pessoas...
Eu sei de tudo isso, já aprendi tudo isso... já trabalhei esta questão em terapia, já evolui, já meditei, já exercitei minha solidão e meu auto-conhecimento, mas... eu adoro estar acompanhado!

Eu adoro estar próximo da família para ela dar palpite na minha vida, eu adoro ter uma filha que me ama e briga comigo, e, PRINCIPALMENTE, eu adoro me enamorar... e estou adorando estar casado...
Eu, confesso, não sou muito bom em fazer amigos, mas eu adoro não ser sozinho! Para mim seria impossível ser feliz sozinho!

Sei que é até "politicamente incorreto" falar mal da solidão, das pessoas solitárias, mas eu não gosto de ser sozinho, de estar sozinho! E PRONTO! Não é uma crítica nem uma desvalorização de quem prefere isso! Que graça ia ter se todo mundo fosse "igual que nem que"!
Mas... sinto que nunca vou acreditar que ser sozinho é "legal"! Nem que é melhor ser solitário como decisão de vida! Achar que as pessoas "Não tem jeito e não vale a pena", por isso optar em ser só. Isto não quer dizer que não é legal sermos sozinhos por uns períodos durante nossa vida, mas desistir das pessoas... isso não é legal!
Eu não consigo "disfarçar" que eu acho isso fundamental, vivo me "metendo" na vida dos amigos que estão sozinhos, dando palpites de como deveriam fazer para arranjar namorado, onde deveriam ir... mesmo que não tenham me pedido opinião! Uma puta falta de respeito eu sei! Mas se eu acredito que isso é um dos pilares da felicidade como eu vou dizer o contrário?

Resultado de imagem para hard workAcho que de certa forma "não ser sozinho" é bem mais trabalhoso que ser sozinho. Namorar, ser próximo da família, participar de grupos, é tudo muito trabalhoso... tem que fazer concessões, tem que aguentar chatices, organizar horários, avisar onde está e que horas volta, pensar em agradar... uma canseira!
Mas uma canseira boa porque as pessoas também fazem isso com você!
Para não ser sozinho você tem que ter o coração e a mente abertos para isso, para o novo, o diferente, o discordante...  não dá para ter preguiça para querer estar com alguém! É uma construção trabalhosa, e, como todas as coisas boas, uns 90% de ação e uns 10% de prazer... mas este 10% valem muito a pena na minha humilde opinião!
Eu sei que já me envolvi com pessoas que hoje, olhando para trás, não tem nada a ver comigo. Uns podem achar que foi "desespero" de não ficar sozinho, outros que foi falta de critério, outros que foi "excesso de otimismo"! E tudo isso é verdade! Para quem não gosta de estar sozinho, para quem gosta de se envolver, de se enamorar, as pessoas são pequenos universos a serem descobertos, são oportunidades, são possibilidades... e também são "erros" retumbantes! Mas eu sempre preferi errar, para aprender a acertar mais na próxima!

E você? Como é sua relação com a solidão? Acha que É impossível ser feliz sozinho?


23 de setembro de 2016

BOA NOTICIA! Cús e Vaginas agora são iguais! (*)

da série "noticias que deixam pastores evangélicos de cabelo em pé"

e também da série "tem muita gente tomando conta do cú dos outros"

Resultado de imagem para two teen boyfriends cartoonEsta semana o governo de Queensland - um dos estados australianos - aprovou uma lei que igualou a idade do sexo vaginal consensual ao sexo anal consensual. Ambos passam a ser 16 anos, antes a lei só não se criminalizava o sexo anal a partir dos 18 anos! A lei também substituiu o termo "sodomia" por "intercurso anal".

Pode parece uma mudança sutil, mas ela tem alguns efeitos bem significativos. Primeiro na questão do preconceito, ao promover a igualdade de jovens de qualquer gênero. A segunda é por garantir o acesso a políticas públicas de saúde para os jovens - todos - a partir de 16 anos, especialmente na prevenção de dst´s, uma vez que não se podia distribuir camisinhas - ou dar palestras, ou fazer campanhas, sobre o sexo anal em escolas por exemplo...ou atender nos hospitais públicos... Para ver a notícia original clique AQUI

O primeiro comentário nosso poderia ser - nossa! antes tarde do que nunca! que povo atrasado este da Austrália!. Mas eu prefiro ver os sempre presentes sinais de mudanças e de progresso do ser humano, da humanidade, especialmente por saber que este estado australiano é o último a equalizar a lei, os outros já fizeram!

No Brasil a idade para sexo consensual é de 14 anos desde que os envoldidos no ato tenham entre 14 e 18 anos. Quando um dos envolvidos é maior de idade, ou tem uma superioridade - hierárquica por exemplo - a lei entende que o sexo foi, de certa forma, forçado. Abaixo de 14 anos se considera que a criança não tem "maturidade para consentir".


E você? Se fosse legislador qual seria a idade legal que você defenderia? Que outras barreiras legais ainda precisam ser transpostas?




(*)Sabe aquele estagiário do UOL que faz as chamadas das manchetes para ganhar mais likes? 
Então, o título deste post é inspirado no trabalho dele! kkk

19 de setembro de 2016

Suficientemente Gay!

Semana passada eu estava no shopping com minha filha, estávamos andando abraçados, conversando, quando eu reparei que uma mulher numa loja ficou olhando... ai eu virei para minha filha e disse:
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Hugh Hefner, fundador da Playboy, 86 anos
e sua esposa  Crystal, 26 anos
(60 anos de diferença)


- Como a gente não é parecido (1) as pessoas que nos vem juntos devem pensar "olha lá aquele velho babão que pegou a garotinha nova" 


E minha filha disse:
- Isto é "culpa sua" que não parece homossexual!(3)

Ao que eu respondi:
- Ué, ser casado com um homem (4) não é gay o bastante? (5)


(1) para os recém-chegados informo que minha filha é adotiva
(2) como tenho um marido 20 anos mais novo é óbvio que não tenho este preconceito, mas eu sei que as pessoas tem!
(3) aqui está embutido o famoso preconceito contra os homossexuais ditos "efeminados", ou, de certa forma, menos homens por conta disso, por parecerem gays.
(4) como não deu para encontrar uma aliança com as cores do arco-iris, e nem uso crachá com isso, a informação permanece "no armário" grande parte do tempo.
(5) acho que o curso de História está me deixando com mania de notas de rodapé! para me explicar melhor! kkkk


E você, já foi confundido com "não gay"? Ou é gay o "suficiente"?