28 de abril de 2016

Encontrando o amor novamente...

Conheça a história de Harris Wofford, ex-senador norte-americano, que foi assessor especial para direitos humanos do Presidente Jonh Kennedy e conselheiro de Martin Luther King:

Eu traduzi os principais trechos abaixo, 
mas que preferirem o texto original em inglês
 publicado no New York Times clique AQUI


Aos 70 anos eu não imaginava que eu poderia  me apaixonar novamente e me casar novamente. Mas os últimos 20 anos fizeram da minha vida uma história de dois grandes amores.

No dia 3 de junho de 1996 o telefone tocou pouco depois da meia noite, interrompendo o silêncio do quarto do hospital. Eu atendi o telefone, que estava na cabeceira da cama da minha esposa Clare. "Por favor aguarde o presidente". Bill Clinton tinha ouvido que Clare, em decorrência da leucemia, estava partindo. Ela ouviu e sorriu, mas estava fraca demais para falar.

Algumas horas depois, eu segurei suas mãos enquanto ela faleceu. Durante 48 anos de casamento nós havíamos passado uma vida inteira juntos.
Na fria primavera que se seguiu eu me senti grato por estar vivo, sortudo por ter tantos amigos e familiares e feliz por um trabalho desafiador que o Presidente Clinton me deu envolvendo o serviço social nacional. Mas eu também imaginava como seria viver sozinho o resto da minha vida. eu estava certo que eu jamais encontraria o tipo de amor que eu e Clare compartilhamos.
Clare e eu nos apaixonamos quando tentávamos salvar o mundo durante a Segunda Guerra Mundial 

(...) Nosso romance e aventura continuou por cinco décadas (...)
Nós passamos meio século juntos com diferentes perspectivas de vida. Tendo crescido durante a Grande Depressão, em que passaram por muito sofrimento, ela se tornou muito cética, enquanto eu sempre fui otimista.
(...) 

Para nossas três crianças, e para mim, Clare era o coração de nossa família. Se eu lhe dizia "você é minha melhora amiga" ela respondia "e sua melhor critica" e se eu dizia "você é minha melhor critica" ela respondia "e sua melhor amiga".
Ambos tínhamos quase 70 anos quando ela morreu. Eu assumi que eu estava velho demais para procurar ou esperar encontrar outro romance, mas, cinco anos depois, de pé na praia, eu tive um impulso (...) entrei na água e nadei sozinho, atraindo a atenção de dois rapazes que estavam na praia. Eles se aproximaram e se apresentaram, foi desta forma que conheci Matthew.
Enquanto caminhávamos na praia eu fiquei impressionado pela maneira curiosa e criativa dele pensar, e com seu charme. Eu sabia que ele era alguém que eu gostaria de conhecer melhor. Tinhamos décadas de diferença de idade e interesses profissionais muito diferentes, mas estávamos fisgados.
Eu admirava seu espirito aventureiro aos 25 anos, foi quando ele me disse que eu era um "jovem de coração". Eu gostei da ideia (...)
Viajamos algumas vezes pelo país, depois para a Europa, juntos, nos tornamos grandes amigos. Aquela faisca que sentimos no início percebemos que cresceu e se tornou amor. Um amor diferente daquele que tive por Clare, Nunca havia sentido esta sensação antes.
Eu levei três anos para falar sobre Matthew para meus filhos. Eu levei um álbum, que mostrava eu e ele em nossas viagens, para um casamento da família, Eu não achava que o assunto precisava de uma abordagem direta. Em algum tempo meus filhos aceitaram Matthew como um membro da família, e os pais dele também me aceitaram carinhosamente.
Para alguns nossa união é natural, para outros é uma estranha surpresa, mas rapidamente percebem nossos sentimentos de amor e devoção mutuos. Já estamos juntos há 15 anos agora (...) Eu não categorizo a mim mesmo baseado no gênero daqueles que eu amo. Eu tive um casamento de meio século com uma mulher maravilhosa e agora eu sou um sortudo por ter encontrado a felicidade por uma segunda vez.
(...) Matthew é muito diferente de Clare. As causas politicas que me movem não são tão importantes para ele, mas isto não fez com que eu mudasse minhas prioridades, mas eu também passei a me interessar pelo design, a paixão dele.(...)
Aos 90 anos eu sou afortunado por viver numa época em que a suprema corte fortaleceu o que o Presidente Obama chama de "dignidade do casamento"  , reconhecendo que o matrimonio não é baseado no genero da pessoa, escolhas ou sonhos, mas sim baseado no amor. Com isso em mente eu e ele estamos preparando nossa cerimônia de casamento. 

No dia 30 de abril, aos 90 e 40 anos respectivamente, vamos unir nossas mãos e fazer nossos votos: para o melhor e para o pior,  na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, com amor e com carinho, até que a morte nos separe

20 de abril de 2016

Você já me conheceu assim...


Para mim um dos piores argumentos que pode ser invocado, quando surge alguma discussão num relacionamento, é a talvez já clássica frase: "você já me conheceu assim!"
A frase, normalmente dita por parte de quem  se está cobrando uma atitude, ou uma mudança de atitude, parece sintetizar o pensamento de que, quando conhecemos alguém, ou quando decidimos ficar com alguém, já sabemos tudo sobre ela, ou pelo menos, os piores defeitos dela... mas a verdade é que talvez só tenhamos visto a ponta do iceberg. Eu sei porque no passado já ouvi muito isso!
O que não é bem verdade não é mesmo? Existem várias coisas sobre a pessoa que aprendemos, ou percebemos, durante o convívio... Uma delas é a confiança...


Eu sempre gosto de dizer que a confiança é algo que só pode crescer num relacionamento, o começo é um desejo de QUERER CONFIAR na pessoa, então você se entrega um pouco, entrega seus desejos, seus sonhos, suas vontades, vc se mostra de confiança e se esforça para confiar. 
Primeiro vc confia um pouquinho, depois mais um pouquinho, depois um poucão, depois mais, mas é um processo constante. Não que vc deve ficar esperando provas de confiança, mas o dia a dia vai te dando estas provas... quando a pessoa te liga quando vê que vc esta triste, quando a pessoa te oferece ajuda sem vc pedir, quando a pessoa te diz eu te amo com frequência... uma construção... 
Eu, com certeza, amo o Mr. Jay agora mais do que amava há um ano atrás, porque eu conheço ele mais do que antes, porque eu confio mais do que antes,... e, na minha humilde opinião, é como tem que ser... um crescendo
E não é transformar o amor numa "equação", em que mais tempo é igual a mais amor, é apenas reconhecer que precisamos disso para nos sentirmos a vontade, para nos sentirmos parte do novo ser que é o tal do "relacionamento" que congrega um pouco de vc e um pouco do outro..

Se as pessoas não reconhecem isso elas serão incapazes de aceitar quando descobrirem algo "ruim" sobre a pessoa de quem estão se enamorando.. Pode ser uma falha de caráter do tipo comprar dvd pirata ou pegar um atestado falso para poder assistir um jogo de futebol...ou pode ser uma mania alimentar esquisita como misturar chantily e dobradinha, ou  pode ser um hábito questionável de higiene (questionável dá bastante margem á imaginação não é?). 
Se vc se iludiu - ou preferiu se iludir - e só viu as coisas perfeitas em seu "amorzinho" a sua decepção vai aparecer nesse momento. Quando o SER que vc imaginou se mostrar uma pessoa real! 
É nessa hora que a pessoa  invoca o tal "você já me conheceu assim", jogando a responsabilidade da falta de avaliação sobre vc, sem questionar a responsabilidade dela de ter escamoteado algo que vc não deveria saber...
Para sorte minha o Mr. Jay parece nem conhecer esta frase, O que é um grande alívio!

É claro que é algo bem mais superficial do que o fato que te fará perder a confiança na pessoa que vc vinha confiando mais e mais a cada dia, Este fato,  normalmente uma traição, vai fazer a confiança despencar em instantes,  o que fará com que vc tome um tombo fenomenal... eu por sorte. não passei por muitos tombos, mas conheço a sensação!

Mas o pior desta frase é quando ela é expressa em sua forma "completa": "você já me conheceu assim. . .e eu não vou mudar!"  
O que quer dizer que a pessoa acredita, primeiro, que conhecemos tudo dela e temos que aceitar tudo e, segundo, que ela acredita que ela nunca pode aprender nada novo nem mudar de opinião... este é o sinal claro para você pular fora! 
Cuidado com estas "frases-prontas-de-efeito"

Ei, me conta você! Já ouviu esta frase? Ou já usou?


16 de abril de 2016

Pra que lado pesa a balança...


Me parece bem óbvio que o fato de eu ter resolvido me casar com o Mr. Jay mostra que, na balança dos prós e contras do nosso relacionamento, a bandeja dos PRÓS está bem mais pesada!


OI? Como assim? Existem CONTRAS no relacionamento?  

Sim, em todo relacionamento existem prós e contras, no relacionamento entre pais e filhos, entre amigos, entre irmãos, e entre casais, existem coisas que atrapalham, as pessoas se amam mas nem sempre amam tudo nos outros! 
Acho que é justamente esta realidade dos "defeitos" das pessoas que impede muita gente de  se envolver - de verdade - em relacionamentos. Eu vejo muita gente "solteira" querendo estar casada porque não encontra alguém "legal". 

Hoje mesmo um amigo, que acabou de completar 40 anos, me ligou e falava sobre isso... que encontrou um cara legal, bonito, um pouco mais velho que ele, gordinho como ele gosta, com um bom emprego na polícia federal (policial tem sempre um lance de fetiche não é?) e confessou-se até mesmo apaixonado pelo cara... 
- "Estão namorando?" eu perguntei.
- "Eu acho que não vai rolar namoro, ele é maduro, inteligente, mas eu vejo que não gosta muito de cinema, de teatro, coisas que acho importantes e não quero abrir mão. Também vejo que ele não é tão carinhoso como eu queria, ele gosta de praia, que eu nem curto muito, acho que não vai dar certo..."
- "Vocês já transaram? Foi legal?" 
- "Eu conheço ele desde dezembro mas ainda não dormimos juntos, só nos pegamos, ele tem até uma pegada boa, mas eu não me soltei ainda porque não sei se ele é o cara ideal"...

OU seja, quer mas não deixa acontecer...E me parece que ele não é o único com este movimento pessoal. Imagino que o tal pretê deve ter outras qualidades, além destes "desvios do perfil" que ele apontou... E o que é pior, nem foi pra cama com o cara, como se fosse uma virgem do século XVIII. Acho que ele tem medo de gostar do sexo e ai ficar mais difícil ainda arranjar defeitos que justifiquem o não envolvimento...
Eu até sugeri (dar palpite na vida dos outros é fácil..) que ele se soltasse um pouco mais, deixasse rolar, que entrasse nessa sem tantas intenções de algo que tem que dar certo, aproveitar um pouco a vida, viajar juntos, se divertir com um cara legal, mas principalmente, sugeri que ele tentasse aprender um pouco do mundo do outro, encarar a ida a praia como algo que faz pelo parceiro, substituir o prazer do cinema e do teatro por outros prazeres a dois, ao que ele emendou:
" E se eu fizer isso e não der certo? Eu vou estar mais envolvido ainda e o sacrifício não terá valido a pena" "Eu quero adotar, ter filhos, e busco um cara para isso, não sei se esse é o cara certo"
A única reflexão que pude oferecer ao meu amigo é que "lembre que eu não esperei, fui atrás do meu sonho"... mas, de novo, sei que não é tão simples...

Eu, como ele mesmo lembrou - e disse que foi justamente por isso que me ligou - sou um tipo relacional, até mesmo "facinho", como diz o Mr. Jay, então eu deveria saber aconselhar sobre isso....mas isso não significa que hoje em dia eu não ache válido a pessoa decidir que não precisa estar num relacionamento para estar bem. Eu acho muito legal e importante estar numa relação - que seja boa, que acrescente, que te faça crescer - mas não defendo qualquer relação apenas para não ficar sozinho!

Mas mesmo assim eu tenho dificuldade para entender as pessoas que dizem que querem se relacionar mas dizem nunca achar ninguém legal , ou eles deveriam dizer "Perfeito"? Não seria melhor procurar a pessoa real? O namorado que realmente existe, o namorado possível?
Quando converso com pessoas que pensam em adoção eu vejo um pensamento muito parecido, a busca da criança perfeita, a criança idealizada, e a reflexão que sempre devolvo é, "provavelmente vc não está casado(a) com a pessoa que idealizava quando tinha 15 anos não é? Então porque seu filho está sendo idealizado? 
E aqui eu foquei no relacionamento de um casal, amor entre duas pessoas, mas acho que se aplica muito bem a um relacionamento ente amigos, irmãos, pais e filhos, e assim por diante!

E você, facilita ou dificulta relacionamentos? Como está a calibragem da sua balança? Como será que a gente pode ajudar amigos que estão nesse movimento? Tem conselhos ou caminhos que podemos apontar?


14 de abril de 2016

Pagar para ter alguém? Participe do encontro!

O Grupo HOMOPATER coordenado pela Psicologo Vera Moris, ira se reunir para debater se as relações homo afetivas são influenciadas pelo poder do dinheiro, Inscreva-se!

11 de abril de 2016

the mother-in-law ( Parte 2 )

Esta história começa AQUI, melhor ler antes para entender o assunto.



No dia seguinte, eu entro em contato com Mr. Jay para ver como estavam as coisas, ver se ele já tinha enfrentado "as feras" e saber se estava bem:





Imaginem minha surpresa! A mulher que algum tempo antes disse que nunca mais viria para São Paulo porque o filho ia se casar, de repente estava saindo com ele para distribuir convites do casamento? Como diria o português: "o mundo deu um giro de 360 graus"!
Como eu sabia que ele estaria com ela no carro não pude ligar imediatamente para entender o que estava acontecendo... mas enviei "ordens expressas" (kkkk) para que ele me ligasse assim que possível. Quando ele finalmente me ligou, lá no fim do dia!!!! Me contou o que aconteceu:

Ele chegou, dormiu, e no dia seguinte, logo pela manhã, entregou o convite para eles, mas já dizendo algo como: "- Eu sei que vocês provavelmente não irão mas eu queria convidar vocês".  Ao que a mãe, para estupefato dele, respondeu "- Nós vamos sim, se seu pai não puder ir eu vou sozinha!"
Eu infiro que corri o risco de ficar viúvo antes de casar, pois imagino que o coração do Mr. Jay deve ter dado uma paradinha neste momento! Mas ele nem questionou... 
E não bastasse isso ela ainda foi rodar a cidade com ele distribuindo convites para os amigos e parentes, ou seja, de certa forma dando seu aval e mostrando a todos que estava apoiando a situação. O que é um passo a mais além da aceitação,  na minha opinião.
Minha primeira hipótese foi uma ação orquestrada pelo irmão mais velho dele e pela cunhada, a mãe deles havia passado vários dias com eles. Meu namorado ligou para o irmão: "Você conversou alguma coisa com a mamãe sobre meu casamento?" E o irmão do outro lado da linha "Porque? Aconteceu algo?"
Quando o Mr. Jay contou para o irmão a súbita mudança de atitude da mãe o irmão relaxou "UFA! Ainda bem, nós conversamos MUITO com ela aqui , mas ficamos quietos e nem te falamos, porque se ela não mudasse de opinião você não ficaria bravo com a gente"
Ou seja, o irmão dele, mesmo sem meu namorado ter pedido, ajudou a resolver esta situação, tomou a iniciativa mesmo se arriscando a ter alguém bravo com ele. Mas o Mr. Jay também acha que o gelo que ele deu na mãe nos últimos meses, e que talvez fez ela pensar que poderia perde-lo para sempre, deve também ter tido um peso na decisão dela. 

A situação mudou tanto, tanto, que - pasmem - a mãe do Mr. Jay veio passar o feriado da páscoa em nossa casa! Super solicita, cordata, simpática, ficou super amiga da minha filha (agora toda vez que se falam pergunta dela), Foi jantar na casa da minha mãe na quarta, fizemos uma bacalhoada na sexta para uns amigos... tudo na mais pacifica e civilizada convivência...coisa que eu, pelo histórico que conhecia, não imaginaria  que aconteceria um dia. E lembra que falei do bom filho? Neste dias ele foi lá e comprou um Smartphone para ela...

Contando tudo isso para minha amiga Vera Moris ela pensa numa outra coisa. Ela acha que a legalização das uniões, com aval do Estado, através de cartórios, com registros oficiais, muda tudo. O que antes era uma coisa escondida, sem nome, ou com nomes alternativos (como união civil, contrato de parceria) agora tem um nome, casamento civil, um nome igual ao nome que todos carregam em suas certidões. E contra isto, contra o Estado, a Lei, fica mais difícil se debater, dizer que não é válido, que não aceita. Talvez por isso, em inglês, o equivalente a sogra é "mother-in-law", mãe-pela-lei (numa tradução livrissima). Ou seja, a mãe do Mr. Jay se torna minha mãe pela lei, queira ela ou não! Somos parentes!  E a minha sogra ainda tem o cabelo parecido com o da Jane Fonda, neste filme!
Que lição tirar desta história?  Eu diria que as pessoas estão dispostas a mudar, elas podem mudar, e talvez elas só precisem de uma chance! O amor, acha um caminho!


E com você? Já passou por uma situação em que a pessoa mudou subitamente de ideia? Em que você deu o primeiro passo e veio um resultado diferente do que esperava?


5 de abril de 2016

the mother-in-law

Uma das questões que se apresentou, quando começamos a pensar em casar, era a minha sogra! 

Os pais do Mr. Jay, que moram no interior de Minas, nunca lidaram bem - traduza por ACEITARAM - o fato dele ser homossexual. Ele assumiu-se ainda adolescente, e os pais tiveram reações bem extremadas, desde tentarem curá-lo através da religião e de psicólogos, até isolarem e expulsarem ele de casa. Um roteiro que é seguido - de forma até compreensível (mas não aceitável) - por muitos pais e mães de jovens gays quando estes se revelam ou são descobertos.

Quando conheci o Mr. Jay, três anos atrás, eles estavam num estágio de convivência em que o fato dele ser gay, e tudo relacionado a isso, era um assunto para não ser falado. Eles vinham beeeem eventualmente visitar ele em São Paulo e ele ia para a casa deles em Minas passar uns dias a cada ano, nas festas de fim de ano, mas havia este acordo implícito: "don´t ask, don´t tell".
Eu sequer conhecia os pais dele. Até mesmo quando fui para Minas, num fim de semana em que ele foi padrinho no casamento de uma amiga, não os encontrei, embora eles soubessem que o filho- e o namorado do filho - estavam na cidade, já que visitamos outros parentes do Mr. Jay.

Cabe ressaltar que, apesar dos pesares, meu futuro marido é um bom filho, ligava para a mãe duas ou três vezes por semana, conversavam amenidades, falavam sobre a família, ele deixava ela falar das coisas dela... Além disso, sempre que ele ficava sabendo que precisavam de algo, ou até mesmo quando ele ia lá e via que podia melhorar algo na casa deles, ele tomava a atitude de fazê-lo. No período que o conheço ele já comprou um maquina de lavar roupas nova para a mãe, já trocou o telefone sem fio deles, pagou viagens, e várias outras coisas...

Quando falamos seriamente em nos casar eu perguntei para o Mr. Jay - "Como você vai fazer com seus pais?" - A princípio ele disse que não ia nem convidar eles, que já sabia qual seria a reação e que não estava com vontade de passar por esta situação. Eu argumentei que ele precisava ao menos convidá-los, e a decisão de não vir é que deveria ser deles.
Logo depois dessa conversa os pais dele vieram para São Paulo, iam se hospedar na casa dele por uma noite pois iriam tomar um voo para uma viagem de férias no dia seguinte, com passagens compradas pelo já citado "bom filho". Meu namorado resolver então romper o acordo implícito de não se falar do assunto e tentou explicar para eles que ele iria se casar e que provavelmente, da próxima vez que viessem a São Paulo, eles iriam se hospedar na casa que dividiríamos... eles se mostraram desgostosos com o assunto e o comentário da mãe dele foi:
"- Então não teremos mais onde nos hospedarmos quando viermos a São Paulo"

Resultado de imagem para bad parentsNão é preciso dizer o quão triste ele ficou com a reação da mãe, embora afirmasse que a reação era o que ele previa, registrou o "baque", tanto que a partir daí deixou de ligar para a mãe com frequência e ficou os últimos 4 meses sem fazer uma ligação sequer. Reação similar á dos pais, eles se distanciaram muito. Para mim era difícil sequer emitir uma opinião sobre o assunto, mas eu sabia que eles fizeram meu Mr. Jay sofrer no passado, por estes fatos, e outros que presenciei, eu tinha uma imagem negativa  deles... mas nunca externava isso, sempre estive do lado do meu Jay nestas situações, mas nunca achei justo colocar mais lenha na fogueira...sempre tive em mim a certeza que este assunto se resolveria - provavelmente uma certeza fruto da experiência da minha querida amiga Edith Modesto com seus jovens do Purpurina - eu, como ela, sei que o amor acha um caminho!

Quando começamos a fazer a lista dos convidados, e a preencher os convites, a primeira reação dele foi de sequer querer fazer convites em nome dos pais, mas argumentei mais uma vez que ele deveria fazer a parte dele, que era comunicar e convidar, que isto no futuro o deixaria tranquilo de ter dado o primeiro passo. Argumentei que se ele já sabia qual seria a reação dos pais isto não  o magoaria mais. E ele sabe que se eles falassem alguma outra bobagem eu estarei do lado dele.

Até que chegou o dia dele ir até Minas entregar os convites... 
Clique AQUI pra ver a contiuação!


E você? como seus pais lidam com sua homossexualidade? É assunto proibido?







22 de março de 2016

Não transforme meu prazer em obrigação!

Resultado de imagem para goste de mim por favor
Eu sou uma pessoa ligada no que poderíamos chamar de "obrigações". Tenho um senso de necessidade que via de regra supera meu senso de vontade, quando minha filha era pequena - e até hoje - eu sempre dizia que existiam sempre três tipos de coisas a fazer, e isto em grande parte resume o que penso:

"Existem as coisas que TEMOS que fazer, as coisas que PODEMOS fazer e as coisas que QUEREMOS fazer. Nem sempre as coisas que QUEREMOS fazer nós PODEMOS fazer, muitas vezes as coisas que PODEMOS fazer nós não TEMOS que fazer e normalmente as coisas que TEMOS que fazer nós não QUEREMOS fazer."

Há não muito tempo atrás o meu senso de PRECISAR fazer as coisas estava profundamente atrelado ao meu entendimento de que isto faria com que as pessoas gostassem mais de mim, Eu fazia não porque aquilo PRECISAVA ser feito, ou porque eu QUERIA fazer, eu fazia para ser "simpático", eu fazia para que GOSTASSEM de mim. 
Os exemplos são fartos: Eu deixava de sair com meus amigos porque o "ex" não queria sair, ou pior, dizia sentir ciúmes e não gostar de meu amigos; Eu levantava de madrugada par levar ou buscar em festinhas e baladas, mesmo podendo mandar um táxi fazer isso; Eu, mesmo chegando exausto em casa, ia para a cozinha preparar o jantar,  mesmo com a pessoa tendo ficado o dia todo em casa.. e por ai vai...
Resultado de imagem para feliz
Verdadeiramente eu nem percebia como aquelas atitudes, que eu considerava "amor e dedicação", tinham um impacto negativo sobre mim. Eu não conseguia perceber que no fundo eu considerava aquilo obrigações e não gostava daquilo. Eu não aceitava que eu fazia aquilo para que as pessoas gostassem de mim, para de certa forma "segurar" as pessoas, eu sempre dizia que eu fazia aquelas coisas com o "máximo" prazer. Mas, com um pouco de ajuda e muita percepção, eu acabei percebendo que isto não era verdade, eu aprendi que eu não sou, e não preciso ser, uma Polyana, fazendo o JOGO DO CONTENTE o tempo todo para que as pessoas gostem de mim. Eu aprendi a separar as coisas que eu TENHO que fazer das coisas que QUERO fazer e das coisas que GOSTO de fazer.

Resultado de imagem para fazer com satisfaçãoIsto não quer dizer que, como todo mundo, a grande maioria das coisas que eu faço eu GOSTE de fazer, a maioria das coisas simplesmente PRECISAM ser feitas. Mas eu passei a ter uma percepção muito mais aguçada do que me dá satisfação de verdade. Se eu chegar em casa do trabalho e tiver que fazer o jantar eu faço com prazer, mas se eu estiver cansado, ou sem inspiração, eu consigo dizer "não quero cozinhar hoje, cozinhem vocês ou vamos jantar fora", sem ser agressivo, sem achar que serei menos amado por isso. Eu consigo falar "não vou conseguir ir te buscar, venha de táxi ou über" "eu não vou fazer isto porque não quero" "eu não estou com vontade de fazer isso". Coisas que eram impossíveis para mim dizer há algum tempo atrás. As coisas mudaram significativamente para mim!

Hoje em dia eu viro O BICHO se você tentar me impor algo que você assumiu que é minha obrigação, algo como "mas você não vai fazer o jantar?" ou "mas você não vem me pegar como sempre?" ou "porque você não comprou isto no mercado para mim, sabe que eu gosto!"
Hoje, quando eu faço as coisas pelas pessoas que amo eu as faço com prazer real, muito diferente daquele "prazer" que eu achava que tinha antes, e deixo isto bem claro, faço as coisas por prazer, e você vai estragar tudo se tentar transformar meu prazer em obrigação!


E você ? Já teve época de fazer as coisas mais por obrigação do que por prazer? Em que momento está hoje?